Os 5 Paradigmas da Visão Sistêmica—Por que não conseguimos?!

Descobrimos novas e melhores formas de pensar e agir quando experimentamos, sem preconceitos, novas possibilidades.

Dando sequência à nossa série de três posts sobre visão sistêmica, vamos hoje discorrer sobre os demais paradigmas que emperram o estabelecimento de um ambiente propiciador do desenvolvimento de uma visão sistêmica. Lembrando que no post anterior tratamos dos dois primeiros paradigmas:

1 – A prática leva à perfeição—Será?

2 – Senso de Urgência—Vamos resolver isso agora; depois a gente pensa no “resto”!

Neste post, discorreremos sobre os outros três elencados totalizando cinco paradigmas que, a meu ver, são os principais limitadores para o desenvolvimento de uma visão sistêmica. São eles:

3 – Poupar Esforços

4 – O perigo da obviedade—O óbvio não é tão óbvio!

5 – O outro lado da Moeda—Às vezes, o óbvio é o óbvio mesmo!

Feito este preâmbulo, vamos trabalhar!

3 – Poupar Esforços

Além de vivermos a cultura do ontem, como dito no post anterior, vivemos também a cultura do atalho e não do caminho. Não procuramos as melhores soluções, aquelas que de fato vão resolver o problema; procuramos as mais fáceis. Quando resolvemos um problema rapidamente, sem muito esforço, nos orgulhamos de nós mesmos. Poupamos trabalho! Somos espertos! Na maioria das vezes, não tem nada a ver com inteligência. É preguiça mesmo! Não nos importamos muito com o resultado final da investida. Não queremos saber se foi apenas um paliativo ou pior, se os efeitos futuros serão mais danosos que o problema em si. O que nos importa é cumprir uma exigência do senso de urgência e economia de esforço e tempo dos tempos modernos. Nossa preocupação é minimizar os custos; quando deveríamos nos concentrar em maximizar os lucros.

Thomas Edson estava coberto de razão quando disse que “a genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”. Soluções simples trazem resultados simples; soluções sofisticadas trazem resultados sofisticados. Claro que isso é uma regra básica da visão sistêmica e, como todas, há exceções. Muito poucas, mas há. Como diz a máxima: “se atalhos fossem bons; caminhos não existiriam!”. O retrabalho é uma prática bastante comum nas soluções fáceis não sistêmicas. Quando nos economizamos no trabalho; pagamos o preço do retrabalho.

4 – O perigo da obviedade—O óbvio não é tão óbvio!

Definitivamente, decidimos, perigosamente, compartimentalizar tudo! É impressionante como nós, seres humanos, nos afastamos da nossa essência sistêmica. Todos os organismos vivos, todo o universo, funciona sistemicamente; mas, em algum ponto da nossa evolução, eu diria nos tempos modernos, decidimos resolver as questões aos pedaços. As profissões se compartimentalizaram e passaram a solucionar problemas de forma compartimentalizada. Surgiram os especialistas para resolver os problemas de suas respectivas especialidades. Nada contra aos especialistas, mas não precisa ignorar todas as outras áreas subjacentes do conhecimento para se tornar um especialista de um pedaço do conhecimento. A medicina é um exemplo crasso. Existem médicos ortopedistas especialistas em tornozelo, joelho, quadril… como que se todos os problemas tivessem sua origem, única e exclusiva, no local do seu aparecimento.

Invariavelmente, passamos a lidar com os problemas, de um modo geral, considerando que a solução está próxima de onde ele surgiu. Dessa forma, se o problema surgiu no tornozelo, a solução está no tornozelo; se surgiu no departamento de marketing, a solução está no departamento de marketing; se surgiu no meu mal humor, está no meu mal humor… Essa é uma forma não sistêmica de resolução de problemas. Nem sempre a causa está próxima do efeito. Meu tornozelo pode doer por uma instabilidade do meu quadril; o departamento de marketing pode estar sofrendo consequências de um novo produto lançado recentemente pelo concorrente direto; meu mal humor pode ser decorrência de uma crise profissional. Não é possível criar soluções consistentes de longo prazo considerando que as soluções surgem, invariavelmente, no local de origem dos problemas. Resolver problemas dessa forma cria soluções paliativas e o retrabalho é inevitável.

5 – O outro lado da Moeda—Ás vezes, o óbvio é o óbvio mesmo!

Acho que o maior desafio da visão sistêmica é “separar o joio do trigo”. Não existe uma receitinha pré-estabelecida para vislumbrarmos soluções de problemas sistemicamente. Em outras palavras, as “regras” para o estabelecimento de uma visão sistêmica também são sistêmicas! É impossível se descrever “os X passos fundamentais para o desenvolvimento de uma visão sistêmica”. É no mínimo imprudente dizer que os efeitos sempre estarão longe das causas. Às vezes estão pertinho mesmo. Não podemos determinar que o óbvio não é tão óbvio; porque, ás vezes, é óbvio mesmo. O fato de lançarmos uma moeda para o alto 99 vezes e todas as vezes cair cara; não quer dizer, obrigatoriamente, que a centésima vez também cairá cara! As probabilidades continuarão sendo de 50% para cara ou coroa, mesmo que caia cara as 100 vezes. 

Conseguir desenvolver a habilidade de ver a árvore e a floresta e entender a relação entre ambas é estar apto a lidar com os problemas de forma sistêmica. Sejam problemas corporativos ou não. Não é determinar, de antemão, regras básicas de procedimentos para lidar com os problemas sistemicamente—as causas estão sempre próximas dos efeitos; soluções simples são sempre as melhores; o menor esforço sempre resulta em retrabalho; o óbvio é sempre incontestável… e por aí vai. É fundamental entender que visão sistêmica sugere a observação minuciosa das causas subjacentes envolta nos efeitos e que essas causas subjacentes são dinâmicas e mutáveis.

Agora que temos uma ideia mais lapidada sobre os paradigmas que emperram o estabelecimento de um ambiente propiciador do desenvolvimento de uma visão sistêmica, vamos descrever, no nosso próximo, e último post da série, como fazer a coisa acontecer. De antemão digo que não é uma “receitinha” de passos pré-determinados para o desenvolvimento da habilidade de lidar com problemas sistemicamente. Simplesmente não é possível essa prática cartesiana quando o assunto é Visão Sistêmica. Se for isso que você está procurando, não perca seu tempo com o próximo post e desculpe tê-lo decepcionado até aqui. O que vamos tratar no próximo post diz respeito às condições favoráveis para que a coisa aconteça. É uma possibilidade; não uma garantia. Espero poder contar com você!

2019-03-18T20:40:34-03:00 2 de outubro, 2017|Educação Corporativa|0 Comentários

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