Visão Sistêmica—A Árvore e a Floresta e a Relação entre ambas

“Sem o pensamento sistêmico, a semente da visão cai em solo estéril”. (Peter Senge)

Visão sistema é o princípio fundamental das Organizações Para o Aprendizado (OPA!). A capacidade de análise crítica global dos cenários de negócios traz à tona a possibilidade de criação de estratégias geradoras de vantagens competitivas de longo prazo. Entender o sistema em que a organização está inserida considerando a relação entre causa e efeito de todas as variáveis dos ambientes interno e externo é um dos pressupostos da visão sistêmica.  Quando a capacidade de visão sistêmica é estabelecida, o todo organizacional é visto como o todo organizacional e não como um conjunto de pedaços estanques sem uma relação íntima entre si. Os movimentos do mercado não são analisados isoladamente, mas sim entendidos sistemicamente considerando as consequências contínuas do processo de causa e efeito.

Mas como, afinal, desenvolvemos a capacidade de visão sistêmica da organização?

Antes de começarmos a construir um ambiente que propicie essa forma de ver as coisas, precisamos desaprender alguns conceitos sobre análise e resolução de problemas. Dessa forma, começaremos hoje uma série de três posts onde, neste primeiro, trataremos de dois dos cinco paradigmas que elenquei, os quais emperram o estabelecimento de um ambiente que propicie o desenvolvimento de uma Visão Sistêmica. São eles:

1 – A prática leva à perfeição—Será?

2- Senso de Urgência—Vamos resolver isso agora; depois a gente pensa no “resto”!

1 – A prática leva à perfeição—Será?

Desde sempre ouvimos essa “verdade”—quanto mais eu praticar melhor será o meu resultado. Focamos tão “obsessivamente” nesta premissa que não paramos para pensar se a prática para realizar determinada tarefa é a correta. Por exemplo, se praticarmos assinar nosso nome com a mão esquerda sendo destros, obviamente melhoraremos o nosso desempenho à medida que praticamos, mas essa não é a prática correta. Afinal, somos destros! Muito dificilmente teremos uma assinatura tão legível e bonita quanto com a mão direita simplesmente porque, neurologicamente, essa é a nossa característica.

A prática do procedimento correto leva a “perfeição”. Não é o muito fazer ou esforçar-se que produz o resultado acima da média. Mas o como fazer e como esforçar-se. Muitas vezes, quando baseamos nossas ações sob a premissa de que a prática leva a perfeição, não atentando para a melhor prática, pioramos nossos resultados em vez de aprimorá-los. A partir do momento que eu começo a praticar a assinar meu nome com a mão esquerda e deixo de aprimorar minha habilidade de destro, que de fato é o que eu sou, pioro minha performance em relação a essa prática em vez de aperfeiçoá-la.

2 – Senso de Urgência—Vamos resolver isso agora; depois a gente pensa no “resto”!

Vivemos a cultura do “para ontem”. Somos pressionados a tomar decisões de bate-pronto e na maioria das vezes damos soluções para os nossos problemas de hoje que serão as causas dos nossos problemas de amanhã. Se precisamos “fazer o caixa” hoje, damos descontos nos produtos que vão além de nossa capacidade financeira o que se tornará um problemão na hora de repor o estoque de amanhã. Usamos o limite do cheque especial (afinal, precisamos de caixa hoje!) que vai nos dilacerar financeiramente num futuro bem próximo. E por aí vai… Criamos soluções no presente que serão, sem dúvida, as causas dos problemas de amanhã. Tudo isso sob o pretexto do senso de urgência que nos pressiona e induz a atitudes não sistêmicas. Focamos na pontinha do iceberg e ignoramos o que está submerso.

Na verdade, não somos ágeis, ao contrário do que pensamos; somos precipitados. Talvez esse seja o maior dos paradigmas a ser quebrado para que uma visão sistêmica se instale. Carregamos o estigma, desconfortável, de sermos lentos e indecisos quando respiramos para decidir. É preciso desaprender esse senso de urgência e entendermos o que é agilidade e o que é precipitação e a crucial diferença entre ambos. Se não quebrarmos isso; “babau” visão sistêmica! Os ingleses, sempre que alguém está ansioso e pressionado a decidir algo, dizem: “take your time!” (a melhor tradução; na minha opinião: não tenha pressa!). Também costumamos falar: “se você não tem o que dizer; não diga nada!”. O mesmo deve se aplicar ao fazer: “Se você não sabe o que fazer; não faça nada!” Simplesmente, “take your time!” Não acredite, por favor, que é melhor fazer uma bobagem já do que não fazer nada! O depois vai lhe cobrar caro pela precipitação. Não se esqueça—agilidade não é pressa!

Encerramos aqui nosso primeiro post, de uma série de três, sobre os paradigmas que precisam ser quebrados para o estabelecimento de um ambiente que possibilite o desenvolvimento de uma visão sistêmica. No nosso próximo encontro, daremos continuidade ao assunto descrevendo os outros três paradigmas elencados. Até lá!

2019-03-18T19:25:47-03:00 25 de setembro, 2017|Educação Corporativa|2 Comentários

2 Comentários

  1. Ylana 09/10/2017 at 19:15 - Reply

    Ótimo texto!

    • Ary Moreira 09/10/2017 at 20:19 - Reply

      OPA! Obrigado pelo comentário, Ylana. Fico feliz que você tenha gostado. Esse post é o primeiro de uma série de três, sobre VISÃO SISTÊMICA, que serão publicados semanalmente. Para melhor compreensão do tema; recomendo a leitura de toda a série. Mais uma vez, obrigado pelo comentário e divirta-se com a leitura. Sucesso!

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