Sua empresa é feliz?

Sua empresa é feliz?

“Dizem que sou louco por pensar assim

Se eu sou muito louco por eu ser feliz

Mas louco é quem me diz

E não é feliz, não é feliz” (Arnaldo Batista)

Viver não é só trabalhar! Mas boa parte da vida é trabalho

Claro que a vida não é só trabalho, mas boa parte dela é vivida no trabalho; ou seja, os melhores anos de nossas vidas durante as melhores horas dos nossos dias serão gastos trabalhando. Não é uma praga! É a realidade. Se você não desfrutar desse tempo de forma feliz; lamento informar, a maior parte da tua vida (a melhor parte) será vivida tristemente.

Todos nós sabemos que pessoas felizes produzem mais e melhor. Com base nesse pressuposto, uma nova corrente de pensamento traz à baila a necessidade de transformação de ambientes organizacionais comuns em lugares mais generosos e seguros que permitam que o indivíduo explore o máximo de suas capacidades, aprendendo, produzindo e se divertindo. Particularmente, adoro a ideia! Sem dúvida que o lado capitalista de ser fala alto nesta questão, mas a responsabilidade social de propiciar condições melhores para o trabalhador também não pode ser ignorada. No nosso mundo capitalista dinheiro é quase tudo, mas não é tudo.

A gente não quer só comida!

Como você se sente na segunda-feira pela manhã, assim que acorda? Como você se sente na sexta-feira minutos antes do fim do expediente? Não sei qual é a tua resposta, mas, sem dúvida, ela está diretamente relacionada ao teu ambiente de trabalho.

Em outras palavras, o significado do trabalho mudou. As novas tecnologias, os avanços científicos mudaram a forma de pensar das pessoas, ou, se ainda não mudou, sinalizou que a forma atual de pensar não é mais suficiente para eu tocar a minha vida com segurança. Em resumo, o trabalho não é mais, simplesmente, um meio através do qual suprimos nossas necessidades de sobrevivência e bem-estar. Como diz com muito propriedade, Bill O´Brien, Diretor-Presidente da Hanover:

“A agitação na administração de empresas continuará até construirmos organizações que sejam mais coerentes com as mais elevadas aspirações humanas, as que estão além de comida, abrigo e posses” (Bill O´Brien – Diretor-Presidente da Hanover Insurance)

Who is in charge? (Quem está no comando?)

O que mais ouço quando abordo este tema é uma grande insatisfação em relação aos ambientes de trabalho. As pessoas não se sentem felizes, na sua grande maioria, quando o despertador soa na segunda-feira pela manhã.  Para muitos, o trabalho é um meio de sobrevivência, uma tarefa do tipo “tenho que fazer” e não uma tarefa que tenho que fazer e me divirto fazendo. Ouço também, recorrentemente, por parte dos colaboradores que eles não têm o poder de transformar o ambiente organizacional em um lugar mais seguro, generoso e divertido. Estão certos, embora eu acredite que todos podem, de certa forma, contribuir na construção de um lugar melhor para se trabalhar; entretanto, indiscutivelmente, cabe aos CEOs da vida essa transformação. Mas como fazer acontecer?

Construindo uma OPA! Um lugar onde eu aprendo, produzo e me divirto

A felicidade é um estado de espírito que pressupõe a soma de diversos fatores. Ninguém é feliz ou infeliz. As pessoas estão felizes ou infelizes dependendo da exposição a esses fatores externos. É oportuno salientar que felicidade ou infelicidade não é o mesmo que saúde mental. Saúde mental diz respeito à capacidade de lidarmos com as adversidades sem perder o prumo. Em outras palavras, podemos estar infelizes, sendo mentalmente saudáveis; ou estarmos felizes, sendo mentalmente frágeis. O fato é que o estado de felicidade desencadeia um nível de produtividade elevado daí a necessidade de transformação de ambientes organizacionais comuns em lugares mais felizes.

Qual é, então, o dever de casa dos CEOs?

Se a felicidade é um estado de espírito que flutua de acordo com fatores externos, os CEOs precisam identificar esses fatores e construir um ambiente que os traga à tona. Claro que são muitas as circunstancias que propiciam um ambiente feliz onde possamos aprender sempre, produzir muito e nos divertir na dose certa. Instalações confortáveis e práticas, plano de carreira, bons salários, relacionamento baseado na confiança mútua, flexibilização de horários, entre tantos outros. Mas existe um fator sem o qual não podemos estar felizes—O sentimento de pertencer.

Eu faço parte!

O ser humano é gregário; portanto, o sentimento de pertencer é uma necessidade humana. Não existe sentimento mais doloroso e danoso do que se sentir excluído. A necessidade de pertencer, quando suprida no contexto organizacional, eleva a autoestima do indivíduo tornando-o mais produtivo, criativo, seguro e empático. O contexto profissional é o segundo ambiente onde a necessidade de pertencer é mais percebida pelo indivíduo. Segundo pesquisas (click aqui para saber mais), 62% das pessoas veem a família como o ambiente referencial no sentido de pertencer. O trabalho é o segundo referencial, com 34% (4% é diluído entre comunidades como vizinhança e grupos religiosos).

Definitivamente, família é tudo! Ser excluído pela família é quase a morte! ou pior do que isso. Mas o trabalho vem logo em segundo lugar. Isto é, quando a necessidade de pertencer é suprida no ambiente corporativo; temos indivíduos mais felizes e, consequentemente, mais produtivos, criativos, empáticos. Mas como suprir esta necessidade de pertencer dos nossos colaboradores?

O que nos faz diferentes daqueles que se parecem iguais a nós?

Quando todos dentro da organização conseguem responder, com exatidão, à pergunta: O que nos faz diferentes daqueles que se parecem iguais a nós? o sentimento de pertencer se estabelece e saímos da condição alienante de meros expectadores e nos tornamos atores principais na construção de um ambiente corporativo produtor de vantagens competitivas sustentáveis. Para tal, algumas prerrogativas têm que ser trazidas à tona: conhecer o significado do Todo organizacional; sentir-se o Todo e participar da construção do Todo.

Conhecer o Significado do Todo

Um dos aspectos fundamentais para se alcançar sucesso organizacional diz respeito à clara e consistente noção da identidade corporativa.  Em outras palavras, a capacidade das pessoas envolvidas no negócio de perceberem e identificarem o propósito da organização. Todas as pessoas que constituem a organização têm que ter a capacidade de responder às perguntas fundamentais neste aspecto:

  • Qual é a razão da nossa existência?
  • Qual o aspecto fundamental que nos faz diferentes dos que se parecem iguais a nós?

Sentir-se o Todo

Sentir-se o Todo e não parte dele sugere uma total identificação com a ideia, com a missão do negócio. É estar plenamente consciente do conceito e do contexto e sentir-se absolutamente absorvido pelo mesmo. Cabe ao CEO engajar seu pessoal neste processo. É como torcer por um time de futebol. Ninguém, quando perguntado sobre para que time torce, responde que “faz parte da torcida do time tal”. Invariavelmente, as pessoas respondem que são esse ou aquele time. Os torcedores não se classificam como um pedaço, uma parte, da torcida do seu time. Elas são o todo! Eu Sou …! A terminologia muda completamente o sentido da coisa. E daí vem o sentimento de pertencer. Quando falamos que somos o Todo e não parte dele, nosso compromisso com a causa se torna imensuravelmente mais forte

(Você já deve ter percebido, até aqui, a importância da não exclusão! Lembre-se sempre disso no seu convívio familiar e profissional. A necessidade humana de pertencer é, talvez, a mais vital para o desenvolvimento pleno do ser humano).

Participar da Construção do Todo

Quando eu conheço o Todo e me sinto o próprio Todo percebo, claramente, que pertenço à causa. Não sou um mero coadjuvante do processo de construção do Todo. Sou o ator principal. Não resta a menor dúvida que todas as minhas capacidades são colocadas a serviço da construção e sustentação do Todo. A condição alienante de olhar e não ver nada é substituída por uma visão sistêmica clara e precisa. Resultado: Absoluto comprometimento. Tudo passa a fazer sentindo. Os pontos são devidamente conectados. Isso nos faz feliz!

Passando a régua!

Em resumo, conhecer o Todo, sentir-se o Todo e não um pedaço dele e participar de sua criação traz à tona um senso comum que ultrapassa a barreira do individualismo em direção ao mundo sem fronteiras do compartilhamento de visões. Daí surge um senso comum que confere identidade e significado àquilo que eu pertenço. Nesse estágio ninguém mais tem interesse na autoria dos projetos, mas sim, nos resultados que o projeto proporcionará para todos. Não importa quem pensou primeiro; quem é o dono da ideia. O importante é que o nosso sentimento de pertencer foi estabelecido e vivemos FELIZES para sempre!

Até breve!

2020-12-07T17:13:33-03:00 7 de dezembro, 2020|Educação Corporativa|0 Comentários

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