Ócio Criativo—A importância do Break. Partiu Férias; Uhuuu!

Ócio Criativo—A importância do Break. Partiu Férias; Uhuuu!

“Vou te pegar na tua casa, deixa tudo arrumado, vou te levar comigo pra longe”. (Biquini Cavadão)

Por que precisamos praticar NADISMO?

Nosso cérebro é uma máquina fenomenal! Não funciona como uma máquina comum, que se desgasta com o uso. Ao contrário, fica cada vez mais eficiente à medida que o usamos mais e mais. Não obstante a isso, ele também precisa de manutenção para aprimorar suas funções e esta manutenção se dá com a prática do nadismo.

Estudos científicos comprovam que o nosso organismo precisa estar equilibrado para funcionar bem. A melhor forma de promover esse equilíbrio é ter momentos de “total desligamento”. Em outras palavras, a dinâmica do cotidiano, pessoal e profissional, que envolve um turbilhão de sentimentos, “rouba” a tranquilidade necessária para que nosso cérebro explore o máximo de suas capacidades. Nosso corpo físico e nossa psique também sofrem as consequências do estresse exagerado da vida moderna com o surgimento das dolorosas doenças psicossomáticas.

Dessa forma, algumas práticas têm sido exploradas para reequilibrar nosso sistema biológico para que ele funcione perfeitamente. A meditação; o relaxamento; a atividade física; algumas técnicas orientais como tai chi chuan, yoga; são alguns exemplos dessas práticas revigorantes para o nosso sistema biológico.

Sendo assim, é comum termos aquela ideia do tipo, eureka!  quando estamos longe do nosso ambiente cotidiano de trabalho ou da vida pessoal durante uma caminhada, ou uma trilha, ou relaxando ao som de uma música clássica, ou durante um passeio de férias… Em resumo, nosso cérebro, assim como todo nosso organismo, se revigora quando se “desliga do mundo”. Mas por que isso acontece?

Manutenção do cérebro

Como dito, nosso cérebro é a mais perfeita e complexa máquina do que qualquer outra até então conhecida. Funciona de uma forma extraordinariamente fantástica. Nunca para suas atividades, desde o momento em que nascemos (inclusive na vida intrauterina) até a nossa morte; ele se mantém em funcionamento. Tudo que ele precisa para sua manutenção são momentos em off. As máquinas convencionais, ao contrário, se desgastam com o uso até seu total sucateamento. Nosso cérebro se aperfeiçoa com o uso criando sempre, ao longo de toda a sua vida, novos aprendizados.

Essa magia acontece, segundo estudos, da seguinte forma: Quando estamos em off, ele ativa o que os cientistas chamam de rede Default Mode Network—DMN. Entenda-se por em off momentos de meditação; relaxamento; lazer; atividade física; fora do cotidiano estressante do trabalho e da vida pessoal.

Segundo os estudos, a rede DMN está relacionada com áreas cerebrais importantes que dizem respeito à inteligência emocional. É sabido que a inteligência emocional é um aspecto chave para o indivíduo ser bem sucedido pessoal e profissionalmente. Desta forma, o autoconhecimento; o controle emocional; a inteligência intra e interpessoal; as decisões relacionadas a princípios morais e éticos; a criatividade; a inovação e a capacidade de adaptação; são habilidades diretamente impactadas pela rede DMN.

Em resumo, quando praticamos nadismo a rede DMN é ativada e nossa inteligência emocional intensificada. Por outro lado, quando estamos sobre pressão e estresse, “desligamos” a rede DMN e com isso perdemos a capacidade de criar, inovar, produzir e interagir socialmente. Ficamos improdutivos, tensos, tristes, carrancudos, chatos… daí a importância do break.

O Ócio Criativo

Corrobora com os estudos científicos a ideia do sociólogo italiano Domenico De Masi publicada no livro O Ócio Criativo, de sua autoria. De Masi afirma que a satisfação pessoal, a alegria, a descontração e o lazer; são elementos fundamentais para estimular a capacidade de criar e inovar do indivíduo aumentando, com isso, a produtividade profissional e pessoal.

De Masi afirma, entretanto, que não é simplesmente ficar sem fazer nada, prostrado na frente da televisão ou dormindo o dia inteiro, o que ele chama de “ócio alienante”. O ócio criativo diz respeito aos momentos de nadismo descritos acima; ou seja, aquelas atividades que ativam a rede DMN. É de suma importância entender a diferença entre ócio produtivo e ócio alienante. Quando falo PRATICAR NADISMO, refiro-me às atividades que não estão relacionadas diretamente com o cotidiano estressante da vida moderna. Refiro-me àquelas atividades que ativam a rede DMN que recarrega e aprimora as capacidades celebrais relacionadas à inteligência emocional. Não tem nada a ver com prostração alienante.

Esse autor também afirma que um ambiente de trabalho que equilibre produção, estudo e diversão; é perfeitamente capaz de promover o ócio criativo. Em outras palavras, o ócio criativo pode ser desenvolvido dentro do ambiente de trabalho quando este conecta esses três pilares—produção, estudo e diversão. Diga-se de passagem, este é um dos objetivos de uma OPA! construir ambientes organizacionais onde as pessoas produzam, aprendam e se divirtam.

O Culto ao Trabalho

Outro defensor da ideia do ócio criativo é o filósofo inglês Bertrand Russell. Em seu livro O Elogio ao Ócio, Russell afirma que o culto ao trabalho, ditado pelo mundo capitalista ocidental, massacra o ócio criativo brutalmente. Nesta cultura consumista do ocidente, onde o lema é “time is money”, as pessoas se sentem culpadas quando dão um break.

Dessa forma cria-se um ciclo vicioso que funciona da seguinte maneira: A não diminuição da carga de trabalho, pela culpa imposta por essa decisão, gera mais estresse; que me torna menos criativo; que me torna menos produtivo; que me obriga a trabalhar mais; que me gera mais estresse; que me deixa menos criativo; que me torna menos produtivo; que me obriga a trabalhar mais…

É preciso de inteligência corporativa para interromper essa engrenagem danosa. Temos observado alguns avanços em direção à quebra do paradigma do culto ao trabalho do mundo ocidental, mas ainda há muita resistência. A produção não está relacionada diretamente ao fazer muito de uma determinada coisa. A produção está relacionada diretamente ao fazer bem todas as coisas. A quantidade é importante; a qualidade é essencial. E para tal, é preciso que o cérebro explore o máximo de suas capacidades e essa possibilidade se concretiza quando praticamos nadismo.

Baseado em todas essas teorias científicas, decidi tirar férias. Tudo pelo bem da ciência! Escolhi o dia 1º de maio, ironicamente, para pegar a estrada com a família e recarregar as energias. Vou em busca de diversão, aventuras, descanso e novas ideias para compartilhar com você no meu retorno. Sendo assim, durante o mês de maio, não teremos novas publicações no blog.

Mas não vou deixar você no vácuo, não! Visto que completamos 1 ano de blog no ar no dia 3 de abril de 2018, graças a Deus! vou aproveitar este período de férias para fazer uma retrospectiva da nossa trajetória até aqui compartilhando os posts antigos nas nossas redes.  Dessa forma, você vai ter sempre uma coisinha para ler ou reler. Sei que será muito bom o break, mas já estou com saudades. Até a volta. Partiu Férias; Uhuuu!

2018-04-30T09:19:12-03:00 30 de abril, 2018|Educação Corporativa|2 Comentários

2 Comentários

  1. Paulo Soares 24/05/2018 at 15:34 - Reply

    Ótima publicação.
    Ilustrativa!!!

    • Ary Moreira 24/05/2018 at 17:59 - Reply

      OPA! Fico feliz que você tenha gostado, Paulo. Sucesso!

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