EducAção—Vai cair na prova, Fessô?

EducAção—Vai cair na prova, Fessô?

“Eu pulava o muro, com Zézinho no fundo do quintal da escola” (Raul Seichas)

Sou Educador Corporativo. Já mencionei, em outros posts, a minha paixão por Educação no mais amplo e irrestrito sentido da palavra. Este é o motivo por que pesquiso o tema nas suas mais diversas formas. É simplesmente fascinante! Sendo assim, com base no que já li, e continuo lendo, somado à minha observação dos métodos e diretrizes dos Modelos Educacionais que venho pesquisando; decidi escrever este post. Nele, eu divido a Educação em três momentos: A Educação Tradicional, o Modelo de Transição e a Educação Moderna.

Dessa forma, a Educação Tradicional é aquela que os que passaram dos 50, como eu, conhecem muito bem. O Modelo de Transição é esse de agora o qual, erradamente, muitos afirmam que é o modelo da Educação Moderna. A Educação Moderna, que muitos acreditam ser o momento atual, ainda não chegou, apesar de possuir alguns pressupostos da educação que se pratica hoje nas salas de aula.

Neste momento da leitura, quero ressaltar que este não é um artigo acadêmico. É um post de um Blog cujo autor é um perdidamente apaixonado por Educação. Dessa forma, o que aqui for relatado, foi construído através de observações e conversas e leituras sobre o tema sem a menor intenção de se desenvolver uma tese acadêmica. Foi na base do empirismo mesmo que, diga-se de passagem, eu adoro! Então, vamos lá.

A Educação Tradicional

Na escola tradicional, a que eu e talvez você tenha estudado, o relacionamento professor/aluno era centrado no professor. Ele, o professor, era o detentor do conhecimento e o transmitia. Ao aluno cabia a assimilação do conteúdo sem a preocupação de buscar outras formas além das que o “mestre” transmitia. O professor detinha o saber e a autoridade. Era o modelo a ser seguido. A hierarquia e a vigilância eram a praxe. Lembra-se da figura do Inspetor, que lhe encaminhava ao Diretor em caso de estripulia?

Neste modelo de educação tradicional, o processo de aprendizagem é valorizado pela aula expositiva, onde o Professor é o “supremo” expositor. A assimilação dos conteúdos se dá, essencialmente, através dos exercícios de fixação, leituras repetidas e cópias. O Famoso “decoreba”. Essa assimilação é checada por meio de interrogatórios orais (provas orais), provas escritas e deveres de casa. Os currículos e métodos pedagógicos são rígidos sem respeitar as diferenças individuas e os interesses do aluno. O certo é o que está escrito, sem margem (permissão) a outras interpretações.

O processo avaliativo segue uma linha punitiva onde o erro é exacerbado (a famosa caneta vermelha!) e o acerto é considerado a obrigação de quem é aluno . O sistema é competitivo considerando a performance do aluno em relação ao grupo. Lembra-se do anúncio da maior nota da sala e da menor e da repercussão que isso trazia para a vida estudantil? Que angústia! A evolução individual era muito menos importante do que a posição do aluno no ranque classificatório da turma.

Não obstante à rigidez disciplinar, que cerceava a liberdade; ao sistema de avaliação, que massacrava a autoestima dos possuidores da nota mais baixa e do sistema de “decoreba”, que limitava a capacidade crítica-analítica do aluno; a produção era satisfatória e atendia às demandas da época. Dessa forma, os alunos eram, ao término de cada ciclo e após a sua formação; capazes de colocar em prática seus conhecimentos e resolverem os problemas demandados nas suas vidas profissionais, adequadamente, dentro dos padrões pré-estabelecidos. Sem inventar muito, ou sem inventar nada. O famoso “feijão com arroz”. Funcionava!

A questão é que as demandas modernas se tornaram mais complexas e um conhecimento capaz de lidar com elas adequadamente passou a ser requerido. Dessa forma, os especialistas chegaram à conclusão que o método tradicional não atendia mais às demandas atuais e uma reformulação era urgente. E assim, entramos no período de transição, que alguns insistem em chamar de Educação Moderna.

Modelo de Transição

O modelo de educação de agora surge com o título de Educação Moderna sob premissas que se contrapõem ao método rígido e limitado até então existente. Uma verdadeira revolução na forma e conteúdo que na teoria, é maravilhosa, mas na prática do dia-a-dia… A proposta elucida mecanismos e métodos absolutamente opostos ao modelo tradicional. Não poderia ser diferente. Entretanto, talvez na ânsia de se libertar do antigo, exagerou-se na dose do que se pensava ser o remédio e elaborou-se uma fórmula venenosa que não ensina; não emancipa; não oferece noções de valores morais, éticos; não desperta o senso comunitário; enfim… não educa!

Talvez na vontade extrema de produzir um modelo libertador de educação, respeitadora das diferenças individuais, que produzisse seres pensantes e construtores do conhecimento em vez das mentes medíocres repetidoras das receitas do todo onipotente professor; errou-se na mão. E a liberdade, muitas vezes, transformou-se em indisciplina recheada de violência física e a quantidade de conteúdo programático não foi capaz de produzir mentes pensantes; ao contrário, tornou pior o que já era ruim.

Essa transformação coloca o aluno na posição de “astro rei” do processo sem a menor noção de limites disciplinares e o professor, uma figura patética acuada pela turma que faz o que quer, quando quer, do jeito que quer. E não os contrarie! Se não…

Além do mais, na ânsia de atender às demandas de conhecimentos complexos do mundo moderno, abarrotou-se um turbilhão de conteúdo goela abaixo dos alunos que não fazem o menor sentido para eles e, tampouco, servem para alguma coisa. Uma estratégia baseado na premissa do “quanto mais; melhor”. Não é a quantidade. É a relevância. Coisa que o grande Educador Paulo Freire falava há tempos atrás. É impressionante como temos a capacidade de não seguir os modelos certos!

A Educação Moderna

A flexibilização do currículo escolar determinada pela reforma do ensino médio, em vigor desde fevereiro de 2017, é um passo importante no sentindo de proporcionar ao aluno a possibilidade de direcionar seus estudos de acordo com suas necessidades e interesses. Sem dúvida, um avanço no sistema educacional até então vigente. Mas isso não é suficiente.

Em outras palavras, não é a flexibilização curricular que torna um sistema educacional melhor ou pior. O que faz a diferença é a metodologia aplicada e a relevância do conteúdo programático. Considerando isto, a Educação Moderna ainda está no útero. Se é que já chegou a tanto.

O que eu quero dizer? Embora acabemos de submeter o sistema educacional a uma reforma que proporciona ao aluno a conexão entre a grade curricular e suas necessidades e interesses; o método de entregar o conteúdo permanece o mesmo. Aulas expositivas; métodos de avaliação punitivos e arcaicos; decorebas e assim por diante. As cadeiras continuam enfileiradas e o professor ainda é o grande expositor do saber.

A Educação Moderna, que ainda não chegou, lembre-se disso, sugere o sair de cena do onipotente professor dando espaço a projetos de estudos elaborados pelos alunos. Em vez de levarem deveres para casa, eles, os alunos, trazem dúvidas de casa sobre tópicos que de fato os interessam e encantam. Obviamente, dentro de uma métrica pedagógica orientada, mas não imposta pelo professor.

As aulas passam de expositivas para discussões em grupo onde o professor é o mediador e não o expositor. As cadeiras são dispostas em grandes círculos onde os alunos discutem os assuntos abertamente e constroem o saber. Não o engolem simplesmente.

O sistema de avaliação punitivo dá lugar ao método de avaliação progressiva; ou seja, a performance do aluno em relação à própria performance. O que importa é a sua evolução em relação aos objetivos de cada ciclo. Seu desempenho em relação ao desempenho do outro; é irrelevante. Ele não compete diretamente com seus pares.

O aluno é avaliado e se auto avalia tendo seu progresso como parâmetro, o que promove o senso de autocrítica do educando. Tudo estabelecido sob regras claras de desempenho e conduta elaboradas conjuntamente entre professor/aluno, que são os responsáveis pelo processo. Dessa forma, o compromisso com a aprendizagem de ambos aumenta.

Em resumo, o modelo de hoje, que eu classifico como Modelo de Transição, erradamente visto como Educação Moderna, repito;  reproduz o Modelo Tradicional de uma forma perigosamente mais flexível conferindo aos alunos uma liberdade para a qual eles não estão preparados e entregando muito pouco, ou quase nada, em relação à assimilação dos conteúdos programáticos. Estamos produzindo analfabetos funcionais em alta escala!

Longe de ser uma Educação Moderna, o modelo de agora reproduz o mesmo do tradicional, submetendo os nossos alunos à prisão do pensamento não sistêmico.  Como resultado, observamos uma flagrante queda de rendimento e para piorar, essa permissividade sem limites os transformou em agressores em potencial. Temos testemunhado histórias de agressão de alunos a professores inimagináveis na Educação Tradicional. Uma lástima! É difícil avaliar se a educação tradicional era mais ou menos danosa do que este período de transição. Que a moderna chegue logo!

2019-04-24T11:09:11-03:00 5 de março, 2018|Educação Corporativa|0 Comentários

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