Quando eu crescer eu quero ser… o que mesmo? Vamos deixar a “MULECADA” se divertir!

Quando eu crescer eu quero ser… o que mesmo? Vamos deixar a “MULECADA” se divertir!

“Ele não sabia que era impossível. Foi lá e fez.” (Jean Cocteau)

Vivemos num mundo em constantes mudanças que acontecem num espaço de tempo cada vez mais curto. Sei que é um clichê, tudo bem, mas é a realidade. Quando nos acostumamos com a nova tendência ou passamos a dominar um novo processo; a coisa muda e lá vamos nós assimilarmos as novas tendências e processos. Se isso é bom? Que diferença vai fazer a nossa opinião? É algo contra o qual não podemos lutar. É assim e vai continuar assim até… Precisamos nos adaptar.

Muitas mudanças no campo social e relacional vêm acontecendo e influenciando a vida de todos nós, principalmente dos mais jovens, mas o que mais me chama a atenção em meio a essas transformações pelas quais o mundo vem passando, é a forma que os jovens de hoje se profissionalizam e entram no mercado de trabalho.

Quando iniciei minha vida profissional, um concurso público ou uma grande multinacional eram o sonho de consumo da maioria dos jovens da minha época (eu sei que “da minha época” é horrível! mas não encontro melhor forma de me expressar). Sendo assim, Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou Coca-Cola, Jonhson & Jonhson; Bayer, entre tantas outras opções; estavam sempre como os melhores meios de vida. Continuam sendo, mas não são mais os únicos.

A hecatombe das Profissões Tradicionais.

Vinod Kholsa, investidor de origem indiana do Vale do Silício e cofundador da Sun Microsystems, deixou a plateia que o assistia estarrecida na conferência de inovação tecnológica na área da medicina em São Francisco, Estados Unidos, em 2012, quando afirmou “que a tecnologia irá substituir aproximadamente 80% de todos os médicos espalhados ao redor do mundo”. Ninguém teve coragem de contestá-lo. E isso foi há seis anos!

Não são somente os médicos que correm o risco de “perder” o emprego. Os Engenheiros, com os softwares cada vez mais sofisticados para executar cálculos estruturais, projetos elétricos e hidráulicos entre tantos outros requisitos exigidos numa construção. Os contadores, com os softwares contábeis capazes de executar a rotina empresarial contábil com margem de erro zero e os advogados; controladores de voos; os motoristas, com os carros automatizados… O que nos reserva o futuro, só no futuro saberemos (pertence a Deus!), mas que as tendências nos levam a crer que será bem diferente da forma que vivemos agora; não resta a menor dúvida.

Nesse contexto “visionário”, será que é realmente vantagem continuar investindo numa formação tradicional como meio de vida próspero e estável? Se o objetivo for pessoal, tipo um sonho de infância ou é a tradição da família; tudo bem. Mas insistir na crença de que algumas profissões tradicionais vão continuar sendo a garantia de uma vida financeira próspera e estável; é um pouco (ou muito) arriscado, você não acha?

Não quero dizer que você deva jogar tudo para o alto e riscar do caderno essas profissões tradicionais, mas estou convidando você à reflexão no sentindo de considerar o novo. Principalmente os mais “experientes” (pais e professores, principalmente) que ainda acreditam na formação tradicional como o único e exclusivo meio de se suceder bem na vida!

O fato é que em pouco tempo, a tecnologia vai acabar com muitas profissões mas, concomitantemente, criará muitas outras. Coisas jamais imaginadas pelo “pessoal da antiga”, que mais parecem uma brincadeira de criança, tornar-se-ão fontes de produção, aprendizagem e excelentes meios de se ganhar a vida com “uma certa estabilidade” (certa estabilidade muito entre aspas mesmo, porque as novas profissões também não serão eternas). Dessa forma, antes de criticar e desestimular sua filha, que decidiu largar a faculdade para ser uma influenciadora de moda através de um blog pessoal; cuidado, ela pode ter dado a maior guinada profissional de sua vida! Abra a cabeça; estimule-a!

As novas Profissões

Neste cenário de transformação ou nos adaptamos às mudanças ou vamos nos tornar chatos (mais chatos) de pensamentos arcaicos dentro do nosso próprio quadrado achando que o que foi continua sendo. Não, não é mais “como os nossos pais!”. Se liga, a coisa mudou; portanto, vamos deixar a “mulecada” se divertir! Pode ser um futuro “estável” e próspero.

Um turbilhão de novas possibilidades profissionais está surgindo. Entretanto, muitas dessas novas profissões não se configuram em novas práticas profissionais. Algumas delas são evoluções transdisciplinares para atender as demandas de agora que envolvem vários campos correlatos de pesquisa.

Por exemplo, você sabe o que é Gestor de Ecorrelações?  Sustentabilidade é uma das palavras mais ditas e publicadas de uns 20 anos para cá, aproximadamente. Logo todas as atividades relacionadas à sustentabilidade serão produtivas e rentáveis. À medida que o segmento cresceu, surgiu a necessidade de um profissional especializado em engenharia ambiental (Engenheiro Ambiental); legislação ambiental (Advogado); botânica, ecologia, zoologia (Biólogo) entre outras disciplinas correlatas.  Essa nova profissão exige um conhecimento técnico transdisciplinar não oferecido, ainda, pela maioria das escolas técnicas e superiores. Em outras palavras, não dá para fazer uma faculdade de engenharia, direito e biologia para exercer a profissão! Se alguém conhecer uma escola que ofereça a formação em Gestão de Ecorrelações me avise.

Outro exemplo, Gestor de Resíduos. O que era lixo agora é resíduo e exige conhecimentos específicos para o armazenamento, descarte e reciclagem. Obviamente, todo esse processo sob uma legislação ambiental rigorosa e abrangente que requer um profissional específico e qualificado transdisciplinarmente para exercer a função.

Nessa linha, podemos dizer que à medida que as demandas existentes evoluíram as exigências para lidar com elas tornaram-se complexas e, por conseguinte, as profissões que já existiam tiveram que se sofisticar. Daí a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. Só que a grande maioria das escolas técnicas e superiores não acompanharam essa mudança na mesma velocidade. Hoje existe um “gap” entre a necessidade de atender as novas demandas e o número de profissionais qualificados para atendê-las adequadamente. E como quem não tem cão caça até com lagartixa; vamos tocando o barco com o leme que temos na mão.

Essa linha evolutiva das profissões é mais fácil de entender e aceitar por simplesmente reunir disciplinas diferentes que se juntam para atender determinada demanda atual. Todos nós conhecemos a engenharia, o direito, a biologia… daí não ser tão complicado aceitar essas novas profissões relatadas acima. Agora, algumas das profissões que o futuro (que já começou) nos reserva são tão “exóticas” quanto produtivas e rentáveis. Você já ouviu falar em Bioinformacionista? Pois é, são esses profissionais que elaboram novas fórmulas de drogas baseado em informações genéticas fornecidas por softwares sofisticadíssimos.

Portanto, a filha ou filho dizer que quer ser um(a) Bionformacionista, não é tão estarrecedor assim. É até charmoso. Mas quando os moleques falam em Gestor(a) de Redes Sociais (e dizem que nem precisa de faculdade!); Influenciador(a); Blogueiro(a) (que também não precisa de faculdade); Conselheiro(a) de aposentadoria; Surfista Profissional;  Gestor(a) de qualidade de Vida; Gestor(a) de Comunidade Social; Especialista em cloud computing; Empreendedor de Food Truck; investidor de Bitcoins; Jogador de Games; Game Designer; Game Tester; Game Animator… e tantas, tantas outras novas possibilidade fora da caixinha que tínhamos até então; aí o bicho pega!

Em resumo, o que eu gostaria de ressaltar é que nós pais e nós educadores, precisamos estar preparados para olhar essas possibilidades sem os olhares preconceituosos dos que vivem retrogradamente ignorando que o novo tempo chegou faz tempo. E ele, o tempo, não volta. Ele tem o poder de mudar as realidades preconcebidas trazendo à tona novas, e às vezes muito melhores, formas de se viver. Vamos ter paciência e apoiar os que estão entrando no mercado de trabalho agora com esse leque de opções, criando as condições para que eles experimentem essas novidades e produzam, aprendam e se divirtam.

2018-02-26T11:48:56-03:00 26 de fevereiro, 2018|Empreendedorismo|0 Comentários

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