Inovação Disruptiva—Começar tudo DO NOVO

Inovação Disruptiva—Começar tudo DO NOVO

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia” (Lulu Santos)

Henry Ford foi ridicularizado ao afirmar que “venderia um de seus carros para cada americano”. Unanimemente, os empresários da época, de todos os segmentos da indústria, principalmente da automobilística, disseram que isso só seria possível se, e somente se, os carros fossem vendidos a um preço muito baixo e não era possível vender carros baratos naquela época.

Na contramão das tendências mercadológicas, Ford conseguiu aquilo que ninguém acreditava que seria possível. Em pleno ano de 1925, criou um completamente novo cenário onde seria possível fabricar carros baratos e consequentemente vendê-los mais baratos para cada cidadão estadunidense. E assim era criada a linha de montagem e a produção em escala industrial utilizada nos dias de hoje, guardadas as devidas proporções. Dessa forma, a fábrica de Detroit nos Estados Unidos, em pleno ano de 1925, foi capaz de produzir um carro novo a cada 10 segundos. (Taylor & Pincus 2001, pp.124)

Esta nova modalidade de produção fez com que o custo caísse vertiginosamente possibilitando um preço de venda final ao consumidor muito baixo em relação ao mercado existente. Sendo assim, se não todos, mas muitos cidadãos estadunidenses, compraram um carro do Ford. O famoso modelo Ford T, cuja cor era preta (tinha que ser). Se fosse ofertado várias cores, a linha de montagem teria que ser ampliada e, obviamente, o custo de produção aumentaria. Aumentar o custo de produção era tudo que Ford não queria.

O que é Inovação Disruptiva?

O termo “disruptiva” deriva da palavra inglesa “disruptive” que, segundo o Dicionário Cambridge, quer dizer, literalmente, “o que causa problemas e, portanto, interrompe algo de continuar como de costume. Tecnologias, processos e produtos que mudam a maneira tradicional de atuação de uma indústria, especialmente de forma nova e efetiva”.

A inovação disruptiva não é uma evolução na tecnologia, nem no produto/serviço em si, com o intuito de suplantar a competitividade. Quando tecnologias, produtos e serviços evoluem para abocanhar uma fatia maior de mercado; dizemos que houve uma inovação no setor. Quando essa inovação destrói completamente a forma que o setor atuava, criando um cenário absolutamente novo; dizemos que a inovação é disruptiva. Uma total revolução mercadológica que obriga os “players” a se reinventarem para continuar no jogo. A experiência pregressa, muitas vezes (na maioria delas), se torna completamente obsoleta.

A estratégia de Ford “obrigou” a indústria automobilística a se reinventar. O modelo de negócio existente tornou-se completamente ineficaz e obsoleto. Ou seja, tudo começou DO NOVO. O processo de produção e comercialização não obedecia mais às regras existentes. Um cenário completamente novo, onde a experiência pregressa não ajuda mais, começou. Já foi! Um contundente exemplo de inovação disruptiva.

Existe uma grande confusão em relação ao conceito de inovação disruptiva. Muitos ainda confundem inovar com inovar “disruptivamente”. Quando agregamos valor a processos e produtos já existentes, aprimorando-os, mas mantendo-os; estamos simplesmente inovando. Quando a Apple, por exemplo, cria uma nova geração de iPhones; ela está inovando evolutivamente. Mas quando ela criou o revolucionário iPhone, ela inovou disruptivamente.  Da mesma forma, quando a Microsoft atualizava o Windows, ela também inovava evolutivamente. Mas quando ela criou o Windows, ela inovou disruptivamente.

Em resumo, inovar é simplesmente agregar valores a processos e produtos tornando-os mais eficazes. Inovar disruptivamente é criar processos e/ou produtos que transformam as práticas do segmento de indústria em absolutamente obsoletas, obrigando os participantes a jogarem no lixo a forma antiga de competir e se adaptarem às novas regras para permanecerem na brincadeira. A experiência pregressa não vai ajudar. É outro jogo.

Exemplos de Inovação Disruptiva

Um dos maiores tombos criados pela Inovação Disruptiva, sem sombra de dúvida, foi o advento da fotografia digital. A renomada Kodak, fundada em 1888, por um século foi líder absoluta de mercado de fotografia analógica. Detinha 90% das vendas de filmes e 85% das vendas de câmeras nos EUA. Ela lançou no mercado a primeira câmera analógica para não profissionais. Chegou a ter 144 mil colaboradores ao redor do mundo. Hoje, agoniza respirando por aparelhos e insistindo a não falir graças aos esforços de seus 8000 colaboradores remanescentes que se dedicam loucamente e apaixonadamente à pesquisa de novos produtos que viabilize a não (mas quase iminente) falência da empresa. Uma história apaixonante que vale a pena ser conhecida. Eu recomendo.

Ironicamente, a Kodak foi quem, em 1975, criou a primeira câmera digital do mundo. Entretanto, seus executivos não levaram a invenção muito a sério. A Kodak não acreditou, apesar de ter sido a inventora, que a fotografia digital pudesse suplantar a analógica um dia. Criaram, literalmente, um Frankenstein!

Em outras palavras, o que a Kodak produziu foi uma inovação disruptiva, mas não abriu mão do modelo existente. Não é fácil abrir mão de toda uma história e começar tudo DO NOVO. Sendo assim, o mercado de fotografia analógica foi encolhendo drasticamente ao longo dos anos e com ele a “pobre” Kodak. Na década de 1990 ela tentou uma reabilitação investindo na fotografia digital, mas já era tarde. Novos jogadores já haviam entrado na brincadeira e ficou difícil. Um deles foi a Sony (covardia!).

Outros exemplos são também bastantes emblemáticos, como a substituição das fitas K7 e discos de vinil pelos CDs e DVDs; das máquinas de escrever pelos micros computadores; a indústria fonográfica com o advento da internet e a possibilidade de baixar músicas gratuitamente; a indústria cinematográfica com o Streaming de vídeos e filmes, NETFLIX que o diga, entre tantos outros.

Concluindo, inovação é o valor que se agrega a processos tecnológicos, produtos e serviços com o intuito de aperfeiçoá-los tornando-os mais eficientes e atrativos. Esse processo se dá de forma evolutiva e continuada. Quando a inovação agrega valor através de um modo completamente novo de se competir, reduzindo a zero a forma anterior de se fazer negócio; inovamos disruptivamente.

Bibliografia:

TAYLOR, W. Dennis; PINCUS, V. Karen.  Core Concepts of Accounting Information—A New Introdutction to Account. 1ª ed. Sidney, Australia: McGraw-Hill, 1999.

2018-02-05T12:33:46-03:00 5 de fevereiro, 2018|Empreendedorismo|0 Comentários

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