Você sabe o que é Hakuna Matata? Histórias que inspiram! (Parte 3)

Você sabe o que é Hakuna Matata? Histórias que inspiram! (Parte 3)

“Os botânicos dizem que as árvores precisam dos fortes ventos de março para flexionarem o tronco e os galhos principais, de modo que a seiva seja sugada para alimentar os brotos. Talvez precisemos das ventanias da vida da mesma maneira, embora não gostemos de resistir a elas. Um período tempestuoso no nosso destino é sempre o prelúdio de uma nova primavera de vida e saúde, sucesso e felicidades, quando somos perseverantes e enxergamos o bem apesar das aparências.” (Jane Truax)

Hoje concluiremos nossa série de quatro posts abordando o tema resiliência ilustrado por histórias inspiradoras de pessoas, instituições e nações. Neste último post, contaremos a história de um empresário que deixou o passado para trás e decidiu plantar no presente a árvore da esperança de um futuro melhor. Foi ridicularizado; claro, por aqueles que se deliciam ruminando o bagaço da vida chamado passado. Entretanto, seguiu adiante, vivendo um dia de cada vez, e cunhou seu nome na história como o empreendedor de um dos mais ambiciosos projetos do mundo corporativo.

Para situar melhor você, que talvez esteja chegando agora, na sequência do nosso estudo, segue os links dos três posts anteriores da série:

  1. Você sabe o que é Hakuna Matata? A arte de ser resiliente!
  2. Você sabe o que é Hakuna Matata? Histórias que inspiram! (Parte 1)
  3. Você sabe o que é Hakuna Matata? Histórias que inspiram! (Parte 2)

A guerra sempre faz vencidos e vencedores

A primeira grande guerra, entre 1914 e 1918, fez vencidos e vencedores. Como de praxe, os que vencem com a guerra são aqueles que não guerreiam. Dessa forma, enquanto a Europa se esvaia em sangue e não pensava em outra coisa a não ser matar ou morrer, os Estados Unidos se deliciavam como o maior fornecedor de todo o tipo de produto, para a manutenção da guerra, e também para o consumo pessoal do povo europeu.

A atividade econômica europeia simplesmente estagnou durante a guerra, como não poderia ser diferente. Precisava-se de tudo e não havia a menor possibilidade de se produzir o mínimo. A solução era importar. Se valendo dessa carência de tudo que acometia a Europa, os Estados Unidos se prontificaram em “ajudar” tornando-se o maior fornecedor (talvez o único) da Europa naquele momento. Resultado, a economia estadunidense se fortaleceu e engrenou um período de euforia jamais visto. Grandes investimentos na produção interna; abertura de capital com aumento de títulos na bolsa de valores; lucros altos; consumo acelerado; a indústria cinematográfica deu início a um estrondoso sucesso sem hora para terminar, enfim… a apoteose do The American Dream! O apogeu do capitalismo, na sua versão mais glamorosa, era inaugurado!

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe!

Lembro-me de um diálogo do fantástico filme A Lista de Schindler onde o ator principal revela à sua esposa que seu sucesso empresarial do momento se devia ao fato do mundo estar em guerra. As pessoas lucram com as guerras, infelizmente. Mas as guerras acabam; às vezes. E a primeira acabou.

Com a baixa nas exportações de armamentos e bens de consumo acarretado pelo fim da primeira grande guerra, os Estados Unidos tiveram que realinhar sua economia interna à nova realidade que passou a descrever um resultado na balança comercial negativo. A indústria demorou a reajustar sua produção à nova realidade de baixa de consumo e os estoques começaram a encalhar. O mesmo aconteceu na produção agrícola, principalmente com o trigo.

Em resumo, o mercado interno não absorvia a superprodução industrial e agrícola que era, até então, projetada para suprir as necessidades de uma Europa em guerra e completamente improdutiva. Mas a guerra acabou e os Estados Unidos custaram um pouquinho a perceber.

Com o declínio repentino do consumo alinhado com o encalhamento dos estoques, as ações das empresas começaram a despencar. Considerando que a euforia econômica havia provocado movimentos especulativos na bolsa de valores, o resultado desta combinação foi a pior crise da história do capitalismo até hoje, passados 90 anos—Quebra da Bolsa de Nova York em 24 de outubro de 1929.

O crash da Bolsa de Nova York—Quinta feira Negra!

Na quinta feira, 24 de outubro de 1929 as ações atingiram os mais baixos valores da história! O resultado é bastante previsível: Queda abrupta da produção industrial e agrícola; desemprego em massa; falências; suicídios… O sonho virou pesadelo! O mundo, que dependia da economia estadunidense, claro que também sofreu as consequências, mas quem pagou a maior conta; foi, sem dúvida, o povo americano.

A quebradeira foi grande. Banqueiros, industriais, fazendeiros e o elo mais frágil da cadeia econômica, o trabalhador; pagaram a mais alta conta da história do capitalismo mundial de todos os tempos. A autoestima de todos desabou. O orgulho transformou-se em vergonha. Por ironia do destino, quem mais se beneficiou com a primeira grande guerra, teve que pagar um preço bastante alto pelo benefício. Como juntar os cacos e reconstruir uma nação devastada pela maior crise econômica de sua história? Hakuna Matata!

Vamos trazer de volta o orgulho do povo Americano!

O empresário John Jakob Raskob decidiu colocar uma pá de cal sobre o passado trágico e reconstruir um futuro a partir do aqui e agora. Foi com o intuito de reaquecer a economia, gerando empregos e negócios, e elevar a autoestima de todos que começou a construção do projeto arquitetônico mais ambicioso da história do mundo, à época: The Empire States Building. Jakob acreditava que o povo americano precisava voltar a acreditar nas suas próprias forças; portanto, o projeto tinha que ser ambicioso. E de fato foi (ainda é) ambicioso.

Os renomados arquitetos, Richmond Shreve, William Lamb, Arthur Harmon não fizeram cerimônia! Desenharam um projeto arrojado, no estilo Art Déco, do maior arranha-céu já visto.  Por 40 anos se manteve o maior prédio do mundo. Os números são incríveis:

103 andares e 381m. Com a torre de televisão chega a 443m

208.879 m² de área total construída

Terreno de 7.240m²

73 elevadores. Um “escândalo” para a época.

57 mil toneladas de aço

5.663m³ de granito e calcário

10 milhões de tijolos

730 toneladas de alumínio e aço inoxidável

3.000 trabalhadores por dia

Tempo de construção – Inacreditáveis 1 ano e 45 dias! Uma média de 4 andares por dia

Tinha que ser grandioso, elegante, jamais visto. Mission accomplished. O orgulho, a autoestima e a autoconfiança do povo americano eram restabelecidas. O resultado desta empreitada somado, logicamente, a outros fatores; faz da economia estadunidense a maior do mundo! Foi preciso a crença de um solitário empresário para que, das cinzas, um novo horizonte fosse vislumbrado. E dizem que uma andorinha não faz verão. Hakuna Matata!

2019-10-25T08:24:49-03:00 21 de outubro, 2019|Resiliência Organizacional|0 Comentários

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