Prontos para o recomeço? The Great Reset!

Prontos para o recomeço? The Great Reset!

“Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas como um mar num indo e vindo infinito. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo. Tudo muda o tempo todo no mundo” (Nelson Motta e Lulu Santos)

Não é de hoje que temos a sensação de que o mundo não caminha em boa direção e que uma “nova ordem” econômico-social precisa ser “inventada”. Ninguém sabe ao certo, ainda, qual será a próxima linha mestra de conduta global, mas o que todos (exceto os que, por conveniência, querem manter o status quo) concordam é que a atual não está sendo suficiente para nos proporcionar qualidade ampla de vida. Exemplos para comprovar a tese de que não estamos fazendo o dever de casa diligentemente não faltam: Nunca fomos tão ricos e tão desiguais ao mesmo tempo, depredamos o planeta sem dó nem piedade e os efeitos da destruição são evidentes, somos intolerantes com as nossas diferenças, e por aí vai. Mudar ficou urgente!

Navegar é preciso. Viver também é!

2020, o ano fora do calendário, veio recheado de novidades. Primeiro, a coincidência numérica perfeita—20 e 20, algo que só acontece de 101 em 101 anos. Somado a isso, traz uma pandemia no pacote além, é claro, do alinhamento perfeito de Júpiter e Saturno, fato ocorrido pela última vez há 400 anos. Eventos para lá de inusitados que a nossa geração, muito possivelmente, não experimentará de novo.

Toda essa magnitude de novidades raras nos faz crer que estamos em um momento tipo divisor de águas e que nunca mais seremos os mesmos. Para o grupo de cientistas que afirma que a extinção da humanidade é certa e próxima, apesar de não saberem ao certo o quando e o como; o momento pandêmico é só mais um pequeno ingrediente dessa fórmula apocalíptica (clique aqui, aqui e aqui para saber mais). Por outro lado, os otimistas acreditam em uma conspiração cósmica ao nosso favor. Um momento único para aprendermos a ser melhores do que hoje somos. É, de fato, uma moeda que, como todas, tem dois lados.

Qual o lado da moeda você gosta mais?

A moeda da nossa discussão tem um lado que diz que a nossa extinção é certa e próxima.  O outro diz que a cada pancada nos reinventamos e seguimos adiante mais fortes, inclusive. Independentemente de qual lado da moeda você prefira, o fato é que ainda estamos vivos e é nossa a responsabilidade de preservação da nossa e de todas as espécies. É um processo natural desde sempre. Sendo assim, para alguns, o momento pandêmico é visto como uma oportunidade antes de uma ameaça. Me incluo na lista.

Não dá mais para segurar!

O fato é que não é de hoje que se busca respostas para a necessidade urgente de uma reengenharia do modelo socioeconômico global de agora que privilegie a redução das desigualdades e a sustentabilidade do planeta, dois aspectos fundamentais para que nossa espécie permaneça no futuro, assim como as demais. É flagrante perceber que o capitalismo, tal qual ele funciona hoje, não é capaz de responder às questões básicas que norteiam as dúvidas quanto à nossa existência no futuro (todos os outros sistemas também não foram e não são capazes de responder):

  1. Como produzir sustentavelmente?
  2. Como diminuir as desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres?

Os exemplos da ineficácia são contundentes e numerosos, além de incontestáveis. Daí a necessidade de uma nova via. Confira na lista abaixo a dimensão do estrago:

  • Nunca depredamos tanto e tão irresponsavelmente o nosso planeta (click aqui, aqui e aqui para saber mais)
  • Apesar da produção de alimentos ser suficiente para alimentar toda a população da terra, “aproximadamente uma em cada nove dessas pessoas ainda vive a realidade da fome.” (Click aqui para saber mais). Vale a pena ressaltar que a fome global não tem nada a ver com o momento pandêmico. Sempre foi assim!
  • Nunca a riqueza esteve tão mal distribuída (Click aqui, aqui, aqui e aqui para saber mais)

Diante de resultados tão desequilibrados, não é difícil concluir que uma nova linha de conduta socioeconômica global precisa ser “inventada”. Apesar do fim de nossa espécie ser certo, de acordo com uma corrente de pesquisadores, ainda estamos vivos; portanto, sigamos buscando melhoras. Dessa forma, surge o movimento Covid19—The Great Reset. Mas afinal, isso é sobre o quê?

O bônus da escuridão é a descoberta da luz

O momento pandêmico nos fez perceber que nosso modelo de sociedade não é mais, e na verdade nunca foi, suficiente para proporcionar o bem-estar de todos de uma forma minimamente isonômica. Sempre convivemos com diferenças que vão além de conquistas meritocráticas, mas os últimos tempos têm demonstrado que tais diferenças nunca foram tão grandes e tão injustas concomitantemente. Considerando este desiquilíbrio quase que insustentável, há tempos que um grupo composto por proeminentes líderes empresariais, políticos e intelectuais, além de alguns jornalistas selecionados vem discutindo uma reengenharia no modelo “capitalista famigerado” atual onde o muito mais nunca é o suficiente. Dessa forma, surgiu o Fórum Econômico Mundial, o FEM. Mas afinal, que invenção é essa?

O que é o Fórum Econômico Mundial?

O FEM é uma instituição completamente independente que tem como objetivo, resumidamente falando, criar soluções para os problemas globais de todos os segmentos da sociedade. Sendo assim, anualmente, reúne líderes mundiais, economistas, empresários e investidores com o intuito de elaborar estratégias e traçar diretrizes que possibilitem a gestão dos desafios globais que desestabilizam o planeta nas mais diversas áreas. Como uma pandemia, por exemplo. Dessa forma, o 50º encontro do FEM, realizado entre os dias 21 e 24 de janeiro de 2021, sob o título COVID-19: The Great Reset postulou os caminhos que devem ser percorridos para que essa “nova ordem mundial” se estabeleça. Mas qual será o caminho das pedras?

As novas regras do jogo!

As novas regras do jogo baseiam-se, fundamentalmente, em um capitalismo consciente que diminua o distanciamento entre todos os envolvidos no sistema; ou seja, a criação de um mecanismo que, de uma vez por todas, traga isonomia à distribuição das riquezas. Em outras palavras, que diminua a gigantesca distância entre os mais ricos e os mais pobres do capitalismo de agora. Para uns, soa como uma utopia; para outros, um meio através do qual o sistema se retroalimentará doravante. Para todos, a constatação cristalina de que chegamos em um estágio insustentável de injustiças socioeconômicas e mudar é, antes de uma escolha, uma questão de sobrevivência.

Além da reengenharia do sistema capitalista atual transformando-o em um sistema mais resiliente; isonômico; socialmente sustentável, focado em métricas ambientais; o FEM trouxe à baila outras seis grandes áreas que fazem parte desta reestruturação. Segue o resumo das áreas elucidadas:

  1. Ecologia: A meta é direcionar a produção de forma sustentável com base nas alterações climáticas e o risco que esta impõe, além de proteger a biodiversidade incluindo florestas e oceanos;
  2. Economia: Propõe uma economia inclusiva a um ritmo menos acelerado que possibilite a redução do peso do endividamento a longo prazo. A famosa máxima: “menos é mais”;
  3. Tecnologia: A proposta é evitar uma “guerra” tecnológica na implementação das tecnologias da Quarta Revolução Industrial (clique aqui, aqui e aqui para saber mais) provocando um ambiente excludente. A pergunta a ser respondida é: Como se criará um consenso global em torno desta proposta? Em outras palavras, a ideia é criar um cenário onde a competitividade global dê lugar a parceria global. A ideia é tão importante quanto desafiadora;
  4. Sociedade: Melhorar a capacidade produtiva individual através da aprendizagem; ou seja, a velha retórica: Educação é tudo! A proposta é estabelecer uma melhor aprendizagem com o intuito de requalificar, ao longo da próxima década, um bilhão de pessoas ao redor do mundo;
  5. Geopolítica: Estabelecer um parâmetro que permita mensurar a influência que o “espírito Davos” tem na mediação e resolução de conflitos gerados por crises globais. Como uma pandemia, por exemplo;
  6. Indústria: A proposta é criar modelos de negócios que se adequem e tirem proveito da Quarta Revolução Industrial criando meios que ajudem as empresas a suportarem os desafios de um ambiente corporativo hipercompetitivo sujeito às pressões políticas variadas e avanços tecnológicos cada vez mais constantes.

A extrema chatice dos extremistas!

O FEM é veementemente criticado por extremistas, tanto de direita quanto de esquerda, em relação às suas intervenções. Por um lado, os de direita, postulam que o FEM é uma organização de extrema esquerda, sob a batuta da China, com o intuito único e exclusivo de implantar o comunismo no mundo. Por outro lado, os de esquerda, insistem na ideia de que as reuniões de Davos são patrocinadas pelos donos do capital com o objetivo de manter seu status quo. O ceticismo (e pessimismo) dos extremos sempre me impressionaram, mas nunca, em momento algum de minha existência, tanto quanto nos tempos atuais.

Por que não acreditar?!

Sou um crente nas boas ações humanas e nas instituições internacionais que preservam, ao menos minimamente, a ordem mundial. Elas são todas necessárias para estabilizar um mundo cada vez mais instável. Sofrem influências políticas? Claro que sofrem! Mas seria muito raso acreditar que uma só nação, por mais poderosa que ela seja, tenha o poder de orquestrar instituições compostas por centenas de outras nações. Portando, sou a favor e acredito em organismos internacionais como ONU; OMS; UNESCO; OCDE… e o FEM.

Por esse motivo, acredito que o momento pós-pandêmico trará um ambiente global menos hostil estabelecendo uma mudança na forma de relacionamento entre as nações; ou seja, o crescimento de mercados domésticos diminuirá a “dependência” internacional quanto aos bens de consumo. Em outras palavras, as preocupações maiores serão voltadas para o abastecimento doméstico (microeconomia) limitando o comércio global (macroeconomia). O 50º encontro do FEM, sob o título COVID-19: The Great Reset tem um papel fundamental nessa reestruturação global.

Às vezes a ficha custa a cair, mas acaba caindo!

2020 nos confrontou com a nossa própria finitude e nos levou à percepção de que nossos recursos são finitos também e precisam ser explorados sustentavelmente. Baseado nisso, acredito que mudaremos nossas práticas de produção e hábitos de consumo. Fontes de energia limpa irão, definitivamente, suplantar as poluentes utilizadas hoje. Acredito em um momento de introspecção individual que resultará em uma sociedade mais harmônica. Um novo momento slow down no frenesi nosso de cada dia. Também acredito na ciência e que a terra é redonda!

Finalizo citando Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial:

“A pandemia representa uma rara janela de oportunidade para refletir, reimaginar e resetar o mundo”.

Até a próxima!

2021-04-05T15:36:49-03:00 5 de abril, 2021|Atualidade|0 Comentários

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