Resiliência Organizacional – Como se reerguer das cinzas?

Resiliência Organizacional – Como se reerguer das cinzas?

Neste post falaremos sobre Resiliência. Como a física descreve esse fenômeno? Como as ciências humanas o têm utilizado para descrever o comportamento humano diante das adversidades da vida? Como nos tornamos mais resilientes? Como nos tornamos menos resilientes? E quando os eventos nos desafiam; o que escolher? E as organizações, como lidar com as inesperadas mudanças ambientas resilientemente? Qual é o modelo de uma organização resiliente?

O que é Resiliência?

Resiliência é um termo descrito pela Física como sendo a “propriedade que alguns corpos têm de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação”. A mola, o elástico, a espuma, a bola de encher são exemplos clássicos de materiais capazes de retomar a sua forma original após terem sido submetidas a pressões externas.

Como as Ciências Humanas descrevem a Resiliência?

As ciências humanas adotaram esse termo, resiliência, analogamente, para descrever a capacidade que algumas pessoas, organizações e nações têm de, quando submetidos a algum infortúnio da vida, se reerguerem das cinzas vitoriosamente e, muitas vezes, mais resistentes, inclusive.

Os estudos sobre o tema nos levam a crer que a resiliência está relacionada com a amplitude e profundidade do campo perceptual de cada pessoa. E que esse campo estrutura-se em torno de eixos de relacionamentos consigo mesmo, com as circunstâncias e com o eixo do tempo. Em outras palavras, a percepção da real dimensão do acontecimento, a temporalidade do acontecimento e quais áreas da vida ele atinge; são aspectos que nos ajudam a lidar com as adversidades mais resilientemente.

Ou seja, as pessoas, organizações e nações que lidam com a adversidade de forma fatal afirmando que está TUDO acabado diante de uma adversidade, ou que o problema perdurará para SEMPRE, ou ainda que o acontecimento tem proporções MAIORES do que as imagináveis; precisam desenvolver sua capacidade de ser resiliente. Na verdade, nenhum acontecimento, além da morte, pode afetar TODAS as áreas da vida de ninguém! Se a pessoa está financeiramente quebrada, por exemplo, ela continua com a mesma saúde de antes; sendo pai ou mãe dos mesmos filhos; torcendo para o mesmo time de futebol; sendo marido da mesma mulher, e vice-versa (na maioria das vezes); sendo chamada pelo mesmo nome… ou seja, ela só não tem mais dinheiro; o “resto” continua a mesma coisa! Vamos parar de botar TUDO no mesmo pacote! A bagagem fica mais suave quando carregamos o estritamente necessário, acredite.

Outra coisa: nada dura para sempre! “Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe”. Renato Russo estava certo quando escreveu: “se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre; sempre acaba”. As mães sempre estão certas quando dizem: “vai passar, querido(a)!”. Além do mais, essa coisa de que é PIOR do que se podia imaginar, quando na verdade não é, é um tremendo sintoma de complexo de vira-latas que corrói a autoestima de nós brasileiros. Fazemos tempestades em copos d’água com a maior propriedade. E no final tudo acaba na Marquês de Sapucaí, no Maraca num domingo de Fla X Flu, em pizza mesmo! Ou seja, não era pior do que imaginávamos. Se fosse, não teríamos suportado!

Como nos tornamos mais resilientes?

Encarar aquilo que é inevitável ao longo de toda a nossa vida; ou seja, as adversidades, sob a perspectiva da dimensão exata do problema, sem exageros e fatalismos, identificando exatamente a área de nossa vida que será atingida; isso nos dá a possibilidade de desenvolvermos nossa capacidade de sermos mais resilientes e “levantarmos, sacudirmos a poeira e darmos a volta por cima” a cada pancada da vida. Você deve conhecer pessoas assim. E também pessoas que não são assim. Em resumo, é possível melhorarmos nesse aspecto.

Todos nós sabemos que infortúnios da incontrolável vida que levamos causam feridas, muitas delas bastante profundas, nas pessoas, nas organizações e nas nações, mas as feridas cicatrizam-se e curam-se com o tempo. E o tempo é, ao contrário do que se pensa, uma medida subjetiva.  Um ano para quem tem dezessete é um oceano de eternidade e um ano para quem tem sessenta é uma gota de tempo. Passa muito rápido. Ser resiliente é, entre outras coisas, ter a capacidade de interpretar o tempo com exatidão. O que foi não é mais, e o que será, só Deus sabe. Remoer dores do passado é tão terrível quanto sentir hoje a dor-de-barriga de amanhã. “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34). A dor da pancada é inevitável, o sofrimento é uma escolha.

Como nos tornamos menos Resilientes?

Se buscarmos no dicionário o antônimo de resiliência encontraremos palavras bastante esclarecedoras tais como—Imaleável; rígido; duro; suscetível; vulnerável; fragilidade; frágil; fraqueza; comodismo; vulnerabilidade; conformismo; choramingão. Diga-se de passagem, chorar sobre o leite derramado (por longos períodos!) é característica básica de quem é imaleável; rígido; duro; suscetível… o que causa danos sérios à saúde. Há quem diga que o câncer é o “entristecimento das células”. Claro que é um dito popular, mas faz sentindo.

Dr Paul Stoltz, PhD (2000) diz que “a função e a saúde de todas as células do corpo-mente sofre influência da reação do indivíduo aos fatos da vida”. Não vamos explorar a complexidade do sistema neurológico humano neste post para esclarecermos o fato de que sofremos consequências orgânicas quando não somos resilientes. Todos nós sabemos que a infelicidade faz mal à saúde mesmo! Resumidamente, a assertiva do Dr. Stoltz não diz que são as adversidades que causam reações danosas em nosso corpo-mente, mas sim, a maneira com que reagimos aos fatos. Ou seja, não são as adversidades enfrentadas que decidem as consequências que se sofre, mas sim, a percepção e a reação a esses fatos que importam e que exercerão influência sobre todos os sistemas do corpo. Daí os pequenos resfriados, as gripes, as pneumonias…

Quando os Eventos nos desafiam – Ser Resilientes ou Desistir?

A imprevisibilidade arrogante da vida repousa solene e impávida sobre uma única e absoluta certeza: que um dia ela acaba!

Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, conhecida apenas como “September Eleven”, quatro aviões comerciais foram sequestrados nos Estados Unidos por terroristas fundamentalistas islâmicos (al-Qaeda). A ideia era derrubar os aviões em alvos considerados estratégicos pelos terroristas em ataques suicidas. Dois desses aviões nocautearam, literalmente, o complexo empresarial do World Trade Center (WTC), na cidade de Nova York, e o orgulho dos estadunidenses desabou junto! O coração financeiro do mundo transformou-se em ruinas em poucos minutos.

O terceiro avião colidiu contra o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no Condado de ArlingtonVirgínia, nos arredores de Washington, D.C. sem causar grandes perdas materiais ou vítimas fatais além, é claro, da tripulação civil. O quarto avião não cumpriu seu objetivo que, alguns dizem, seria atingir a Casa Branca. A tripulação tentou retomar o controle da aeronave, como comprovam mensagens enviadas via celular, o que provocou sua queda numa área descampada próximo de Chanksville, na Pensilvânia.

O estrago foi grande. Aproximadamente três mil mortos sendo que a maioria das vítimas eram civis, incluindo cidadãos de mais de 70 países.  Além disso, sobreviventes sequelados por doenças respiratórias, devido a exposição à poeira do colapso do World Trade Center, se tratam ainda hoje, passados mais de 15 anos da tragédia.

Fico tentando (sem nenhum êxito, é claro!) imaginar o que passava pela cabeça daquelas mais de 3000 mil pessoas quando deixaram suas casas naquela manhã fatídica. Será que a mais pessimista delas imaginaria que num país como os Estados Unidos, armado e “seguro” até aos dentes, quatro aviões poderiam ser, simultaneamente, sequestrados? E que o prédio que essa pessoa trabalhava, o mais seguro do mundo, pudesse sofrer um ataque terrorista que o deixasse em destroços? Realmente Tiago estava absolutamente certo no capítulo 4, versículo 14 do Novo Testamento que diz: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece”.

Conheço pessoas que gastam a maior parte do seu tempo tentando controlar o incontrolável—a vida. (Infelizmente, algumas não se contentam em tentar controlar a própria e tentam controlar também a dos outros!). Fazem previsões para tudo o que se possa imaginar. Estabelecem normas e procedimentos para controlar o ambiente tornando-o mais “seguro”. Não saem à noite. Não comem isso ou aquilo (faz mal). Vão ao médico se sentindo ótimas (vai que exista algo de ruim adormecido dentro de mim!). Têm uma vida regrada e sistematicamente monitorada (comem a mesma coisa na mesma hora; dormem na mesma hora, do mesmo lado da cama, com o mesmo travesseirinho; transam na mesma hora e no mesmo lugar (na mesma posição, é claro)) tudo isso para exercer um pseudo controle do que não se pode controlar de jeito nenhum! E, numa bela manhã outonal, denominada simplesmente de “September Eleven”; elas saem de casa e… Prudência, canja de galinha e dinheiro no bolso; só faz bem! mas tentar exercer um controle absoluto sobre tudo e todos é absolutamente improdutivo. Perda de tempo mesmo. Ao contrário, temos é que nos preparar para resistirmos às tempestades da vida desenvolvendo a nossa capacidade de sermos resilientes. É possível e, sem dúvida, muito mais fácil.

O que é uma Organização Resiliente?

Nas organizações não é diferente, afinal elas também estão submetidas às turbulências mercadológicas de um mundo em constante mudança e cada vez mais competitivo. Vivemos hoje no nosso querido Brasil uma crise sem precedentes que tem colocado as nossas organizações no canto do “ring”. Temos sido pressionados a duros golpes e, muitos de nós já beijaram a lona. Ser resiliente nesse momento não é uma escolha, é uma condição de sobrevivência.

Os noticiários nos bombardeiam diariamente com uma dura realidade de total escassez, há muito não vista, que temos que enfrentar—O pior resultado do varejo desde 2003; a maior queda nas vendas da indústria nos últimos 15 anos; aumento da inflação e a ausência de crescimento econômico; o dólar indo às alturas; a Petrobrás atolada em escândalos de corrupção; o PIB descendo ladeira a baixo com resultados negativos inimagináveis; 14 milhões de desempregados; uma crise institucional avassaladora (não sei se vai sobrar alguém quando os mandatos de prisão forem expedidos); tudo isso somado à crise de abastecimento de água e de energia e a explosão da violência urbana. O número de homicídios no Brasil é maior do que de países em guerra como a Síria, por exemplo. Na Síria, em 4 anos, morreram 256 mil pessoas. No mesmo período no Brasil morreram 279 mil. Carregamos o triste rótulo de um dos países mais violentos do mundo. São, de fato, tempos difíceis. Eu sei que já iniciamos um discreto processo de recuperação, mas a distância entre a luz e as trevas continua sendo abissal!

Operar um negócio diante de um ambiente tão instável e incerto requer das organizações muito mais do que competências técnicas. É imperativo a capacidade de Resiliência Organizacional. Continuar tocando o barco com eficácia diante de tamanha ansiedade e desânimo e tristeza e medo e estresse… oriundos de um mercado em frangalhos; só sendo muito resiliente e hábil na árdua tarefa de fazer do limão a limonada. Só os fortes resistem. E quando falo Fortes não me refiro aos que têm mais, mas sim, aos que são Mais. Ter mais recursos, nessa hora, não é garantia de sobrevivência. Ser o mais resiliente é.

Diante de um cenário tão adverso que vivemos, as organizações precisam manter a calma e continuar gerindo o negócio sem precipitações e sistemicamente. Muita OPA! nessa hora. Somente um ambiente Organizacional voltado Para o Aprendizado (OPA!) é capaz de proporcionar essa condição. As organizações são o reflexo das pessoas que as compõem; ou seja, pessoas resilientes criam ambientes resilientes. E a resiliência individual só pode ser desenvolvida em ambientes organizacionais onde o ser humano é colocado em primeiro lugar e capacitado a criar, identificar, desenvolver e aplicar o conhecimento adquirido na geração de vantagens competitivas duradouras; ou seja, uma Organização Para o Aprendizado (OPA!). Simples assim.

Qual é o modelo de uma Organização Resiliente?

 As organizações que se caracterizam pela sua capacidade de responder rapidamente às constantes mudanças relacionadas às novas tecnologias, aos avanços científicos, às mudanças climáticas, geopolítica; socioeconômicas; mercadológicas…; correspondem ao modelo de organização resiliente. Ou seja, uma Organização Para o Aprendizado (OPA!). O mundo muda inesperadamente o tempo todo todo o tempo. A capacidade resiliente de uma OPA! a coloca na vanguarda dos acontecimentos conferindo-lhe uma longevidade bem sucedida. As empresas comuns matam um leão por dia até serem comidas por um deles. As OPAs! domam todos e os submetem a seu serviço.

Transformar as organizações comuns em Organizações Para o Aprendizado (OPA!) e, portanto, capazes de enfrentar situações adversas resilientemente não é um luxo ou mais um modismo irrelevante do mundo corporativo. É uma real necessidade. A capacidade de criar, identificar, desenvolver e aplicar o conhecimento adquirido na geração de vantagens competitivas duradouras adaptando-se rapidamente às várias e drásticas mudanças do ambiente corporativo sem perder sua própria identidade; ao contrário, reforçando-a através dos tempos; é imperativo. Mudar é preciso; a não ser que você se divirta matando um leão por dia até ser comido por um deles!

É simplesmente impossível prevermos com exatidão o dia de amanhã e nos protegermos completamente das incertezas cotidianas. Sejamos pessoas, organizações ou nações. Não vamos perder tempo tentando, infrutiferamente, controlar o incontrolável—a vida. Precisamos sim, analisar os fatos tal qual eles se apresentam no que diz respeito à sua dimensão, (é realmente tão grande quanto parece?); ao seu alcance (quais são as áreas que serão realmente atingidas?), e à sua duração (claro que não vai ser para sempre! A não ser que tenhamos morrido). Dessa forma desenvolveremos a nossa capacidade de sermos resilientes e continuaremos a caminhada sem olhar para traz tornando-nos especialistas na prática de domar leões e de fazer do limão à limonada.

2018-04-20T21:21:16-03:00 3 de abril, 2017|Resiliência Organizacional|2 Comentários

2 Comentários

  1. Joice 02/06/2017 at 14:18 - Reply

    Com certeza a palavra de ordem é ser resiliente, não há tempo para ficar chorando sobre o leite derramado. Um bom programa organizacional que direcione a todos, em momentos de crise, a “sacudir a poeira e dar a volta por cima” é o segredo.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: