Remoto ou presencial?

Remoto ou presencial?

Uma pitada de cada na hora e medida adequada

Por que inventei essa história?!

Minha maior ambição quando criei a OPA! era (e continua sendo) intervir em ambientes organizacionais transformando-os em lugares mais generosos e produtivos onde as pessoas são valorizadas de fato. Um lugar onde todos aprendem, produzem e se divertem. Para me apresentar ao mercado, iniciei uma trajetória, que já somam três anos (incluindo 2020, o ano fora do calendário), de produção e publicação de conteúdo sobre o mundo corporativo do que há de mais atual na literatura do business. Aquilo que, realmente, eu acredito. Dessa forma, nossas publicações são baseadas na pesquisa de material revisado e na nossa experiência de anos militando na área.

Deu certo(?)

Os resultados, sem dúvida, têm sido gratificantes. Temos alcançado excelentes níveis de visibilidade nos motores de busca. Muitos dos nossos artigos estão na primeira posição da primeira página do Google, por exemplo. Considerando que optamos por um crescimento orgânico desde o início da trajetória; ou seja, nunca investimos em estratégias pagas para aumentar o número de visualizações, realmente, estamos bem. Mas; por que, então, temos uma sensação de total inutilidade?

Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. (Romanos 7:19)

O mundo pandêmico e caótico que vivemos parece absorver toda a nossa energia. Reagimos frente às adversidades. Não temos a visão sistêmica necessária que nos permita criar estratégia preventivas. Além disso, o longo momento de isolamento nos direcionou para uma “nova realidade”, latente já há algum tempo, de três “novos mundos”: O mundo remoto; o mundo imediato, o mundo descartável. Como assim? Explica melhor.

O mundo remoto

Não é de hoje que “trocamos” o tête-à-tête pela virtualidade. Nada contra, absolutamente! Quando utilizamos a internet para nos conectarmos com o mundo à distância para tornarmos nossas práticas, profissionais e pessoais, mais eficazes; tudo bem. Mas quando o medo de nos confrontarmos com pressupostos divergentes cara-a-cara nos leva ao isolamento e quando utilizamos as ferramentas eletrônicas como meio de alcançar fatias de mercados inalcançáveis presencialmente, abrindo mão da qualidade em troca da quantidade; caímos em dois abismos distintos:

  1. Sacrificamos a possibilidade de criação de um ambiente organizacional que promova a convivência entre todos os colaboradores em todos os níveis e o consequente compartilhamento de visões. O compartilhamento de visões é fator essencial para a geração de valores invisíveis e conhecimentos tácitos (click aqui para saber mais), os quais proporcionam a criação de vantagens competitivas sustentáveis (click aqui para saber mais).
  2. Trocamos a qualidade da prestação de serviços individualizados pela a quantidade de práticas gerenciais enlatadas, as quais colocam todos os players no mesmo patamar. Isso não é competitividade. Isso é nivelamento.

O mundo imediato

Tudo é para ontem! De preferência, pela manhã bem cedinho. Esse senso de urgência em todas as áreas de nossas vidas, nos submerge a um nível de competitividade jamais visto. Classifico este momento como a era da Hirpercompetitividade. (clikc aqui para saber mais).

Essa loucura de ter que fazer “certo” e fazer “rápido” conduziu as organizações a consumirem, desenfreadamente, métodos, práticas e teorias para atenderem a complexa e dinâmica demanda do mundo corporativo de agora. E com isso, surgem as empresas de consultoria; os consultores individuais; os coaches; gurus; business advisors; conselheiros…  e como a demanda por esses serviços aumentou, é preciso criar um meio de distribuição que permita abocanhar fatias maiores de mercado mais rapidamente. Bem-vinda(o) ao mundo do atendimento remoto. E tome enlatados!

Vai uma latinha aí?

Em meio a tudo isso, o que eu tenho observado é o famoso muito do mesmo. Isto é, as organizações não estão preparadas para atender à complexidade e ao dinamismo que as demandas da Hipercompetitividade impõem. Dessa forma, recorrem à ajuda externa que por sua vez entregam soluções enlatadas sob o título de melhores práticas. O resultado é fazer o mesmo de forma diferente; mas rápido. O resultado é o mesmo de forma diferente; mas rápido. Daí o surgimento de um dos mais fortes mantras corporativos: matar um leão por dia!

Em outras palavras, aceitamos a condição de vivermos no fio da navalha tendo que, sistematicamente, nos reinventarmos para matar o novo leão. E de barrigada em barrigada, consumindo uma latinha aqui outra acolá, remotamente, vamos sobrevivendo. Tem sido divertido para você?

A aspirina nossa de cada dia

Não há mal algum em buscar um analgésico na farmácia para aliviar a dor de momento. Habituar-se à essa prática significa mascarar, talvez, um mal maior que pode, a curto-médio prazo, se tornar irreversível.

Resolver as dores demandadas pela era da hipercompetitividade consumindo pacotinhos de consultorias analgésicos paliativamente nos dirige a dois caminhos:

  1. Dependência de ajuda externa sem prazo de validade
  2. Gestão reativa, estressante, improdutiva e pior; comum a todos

Qual é, então, o caminho para a liberdade?

As consultorias no modelo clássico, vamos tratá-las dessa forma, estão perdendo espaço para as consultorias remotas. Um movimento previsível considerando as infinitas possibilidades que os avanços tecnológicos nos proporcionam. Aliado à essas possibilidades tecnológicas, o momento pandêmico que estamos vivenciando corroborou decisivamente para a utilização desta “remotabilidade”. Absolutamente nada de errado nisso. Entretanto, a exploração desse canal com o propósito único e exclusivo de abocanhar maiores fatias de mercado, entregando “pacotes padrão” para cada setor da organização, coloca todos em um lugar comum. Se o propósito é competir sendo igual a todos; tudo bem. Se o propósito é competir de forma sustentável; não dá para ser igual. O que fazer então?

Nem muito ao céu; nem muito à terra!

Claro que as consultorias remotas são úteis! Minha questão são as soluções enlatadas entregues como formas milagrosas de sucesso. Uma aspirina para aliviar a dor momentânea cai muito bem, mas não é capaz de solucionar as causas da dor. Com base nisso, continuo acreditando que intervenções mais profundas, o que chamo de um realinhamento organizacional, são as soluções sustentáveis para encarar o momento hipercompetitivo de agora. Não é saudável acreditar que produziremos vantagens competitivas sustentáveis através de “pacotinhos” que são consumidos pela maioria dos nossos concorrentes. Isso não nos torna diferentes; portando, não permite que consigamos resultados diferentes dos demais. O quê que eu faço então?

Como desatar o nó?

Antes de qualquer coisa, você precisa acreditar que ninguém conhece mais o seu negócio do que você. Claro que isso não o credencia a responder todas as perguntas, mas já é um ótimo começo. Além disso, é essencial que você tenha em mente que consumir consultorias online disponíveis a todo os seus concorrentes pode ajudar a aliviar a dor, mas não vai levá-lo a um lugar muito além disso. Não é possível competir sendo igual. Resumindo, a solução sustentável surge de dentro para fora, não o contrário. Desta forma, é fundamental que todos os colaboradores participem do processo de elaboração das estratégias geradoras de soluções sustentáveis.

Em outras palavras, as pessoas, independentemente de níveis hierárquicos, precisam se identificar e envolver com a missão, os objetivos e os valores da organização. Buscar soluções paliativas entregas em pacotes de consultoria remota ajuda, mas não resolve. Buscar ajuda externa para guiar a transformação de ambientes organizacionais reativos, não sistêmicos, consumidores de soluções analgésicas em ambientes proativos, sistêmicos, geradores de vantagens competitivas sustentáveis; resolve.

2020-11-09T17:50:13-03:00 9 de novembro, 2020|Educação Corporativa|2 Comentários

2 Comentários

  1. Joice 11/11/2020 at 16:41 - Reply

    Mais um excelente post, Ary, parabéns! Este está realmente LACRADOR! Gostei muito, obrigada por compartilhar a sua expertise. Joice

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