Qual o Significado? O Sentimento de Pertencer

Qual o Significado? O Sentimento de Pertencer

“Ando meio desligado. Eu nem sinto meus pés no chão. Olho e não vejo nada.” (Os Mutantes)

Por que fazemos o que fazemos do jeito que fazemos?

O que nos faz diferentes daqueles que se parecem iguais a nós?

Decidi, a partir deste post, encerrar a nossa série #BusinessTools. O objetivo desta série é (era) apresentar ferramentas da Administração de Empresas que são, sem dúvida nenhuma, instrumentos eficazes na operação de todo e qualquer negócio. Nosso estudo seguiu sempre a mesma métrica, que era responder as seguintes perguntas em relação à ferramenta da vez: o que é; para que serve; quando aplicar e como aplicar. Dessa forma publicamos as #BusinessTools1; #BusinessTools2; #BusinessTools3; #BusinessTools4.1 e #BusinessTools4.2

Por que eu decidi interromper a série? Porque eu “olho e não vejo nada”. Quanto mais eu aprofundo o meu caminhar através das veredas técnico-acadêmicas; mais eu percebo que o que faz a completa, ampla e irrestrita diferença na alta performance no ambiente corporativo são as pessoas e a forma com que elas interagem entre si. As ferramentas são importantes, mas o espírito de quem as utiliza é essencial.

Abro um parêntese aqui para lhe deixar muito à vontade para dar a sua opinião quanto a esta guinada que estou dando no que se refere às próximas publicações. Inclusive, me coloco à disposição para retomar as publicações da série caso haja um quórum significativo para tal, mas por hora, vamos falar do que realmente faz a diferença—Gente!

Por que fazemos o que fazemos do jeito que fazemos?

Fazemos o que fazemos do jeito que fazemos porque pertencemos a uma cultura que nos impulsiona e direciona a fazermos as coisas desse jeito. Esse sentimento de pertencer nos fortalece, nos insere no contexto, nos confere um sentimento de unicidade. Não sou eu sozinho. Somos todos nós harmonicamente ligados por um sentido comum.

O ser humano é gregário. Portanto, o sentimento de pertencer é uma necessidade humana. Não existe sentimento mais doloroso e danoso do que se sentir excluído. A necessidade de pertencer, quando suprida, no contexto familiar durante a primeira infância, principalmente, e ao longo da vida adulta; é fundamental para o amadurecimento emocional. Indivíduos que tiveram a necessidade de pertencer suprida no contexto familiar têm a autoestima mais elevada e, portanto, são mais produtivos, criativos, seguros, empáticos… em resumo; “não olham e não veem nada”. Ao contrário, têm uma visão muito apurada do verdadeiro sentido das coisas.

O contexto profissional é o segundo ambiente onde a necessidade de pertencer é mais percebida pelo indivíduo. Segundo pesquisas, 62% das pessoas veem a família como o ambiente referencial no sentido de pertencer. O trabalho é o segundo referencial, com 34% (4% é diluído entre comunidades como vizinhança e grupos religiosos). Família é tudo! Ser excluído pela família é quase a morte! ou pior do que isso. Mas o trabalho vem logo em segundo. Ou seja, quando a necessidade de pertencer é suprida no ambiente corporativo; temos indivíduos mais felizes e, consequentemente, mais produtivos, criativos, empáticos… mas como suprir esta necessidade de pertencer dos nossos colaboradores?

O que nos faz diferentes daqueles que se parecem iguais a nós?

Quando todos dentro da organização conseguem responder, com exatidão, a esta pergunta; o sentimento de pertencer se estabelece e saímos da condição alienante de meros expectadores e nos tornamos atores principais na construção de um ambiente corporativo produtor de vantagens competitivas sustentáveis. Para tal, algumas prerrogativas têm que ser trazidas à tona: conhecer o significado do Todo organizacional; sentir-se o Todo e participar da construção do Todo.

Conhecer o Significado do Todo

Um dos aspectos fundamentais para se alcançar sucesso organizacional diz respeito à clara e consistente noção da identidade corporativa.  Em outras palavras, a capacidade das pessoas envolvidas no negócio de perceberem e identificarem o propósito da organização. Todas as pessoas que constituem a organização têm que ter a capacidade de responder às perguntas fundamentais neste aspecto: Qual é a razão da nossa existência? Qual o aspecto fundamental que nos faz diferentes dos que se parecem iguais a nós?

Sentir-se o Todo

Sentir-se o Todo e não parte dele sugere uma total identificação com a ideia, com a missão do negócio. É estar plenamente consciente do conceito e do contexto e sentir-se absolutamente absorvido pelo mesmo. É como torcer por um time de futebol. Ninguém, quando perguntado sobre para que time torce, responde que “faz parte da torcida do time tal”. Invariavelmente, as pessoas responderem que são esse ou aquele time. Os torcedores não se classificam como um pedaço, uma parte, da torcida do seu time. Elas são o todo! Eu Sou …!

A terminologia muda completamente o sentido da coisa. E daí vem o sentimento de pertencer. Quando falamos que somos o todo e não parte dele, nosso compromisso com a causa se torna imensuravelmente mais forte! Você já percebeu que quando achamos uma pessoa muita boa naquilo que ela faz dizemos que ela não faz aquilo; dizemos que ela é aquilo. Niemeyer não era arquiteto; Niemeyer era a arquitetura. Ivo Pitanguy não foi um cirurgião plástico; ele foi a própria cirurgia plástica. E tantos outros exemplos de pessoas que não eram um pedaço do que faziam; eram o que faziam e, portanto, tinham a necessidade de pertencer suprida e consequentemente entraram para a história por suas performances muito acima da média dos que nunca tiveram suas necessidades de pertencer supridas.

Você já deve ter percebido, até aqui, a importância da não exclusão! Lembre-se sempre disso no seu convívio familiar e profissional. A necessidade humana de pertencer é, talvez, a mais vital para o desenvolvimento pleno do ser humano.

Participar da Construção do Todo

Quando eu conheço o Todo e me sinto o próprio Todo percebo, claramente, que pertenço à causa. Não sou um mero coadjuvante do processo de construção do Todo. Sou o ator principal. Não resta a menor dúvida que todas as minhas capacidades são colocadas a serviço da construção e sustentação do Todo. A condição alienante de “olhar e não ver nada” é substituída por uma visão sistêmica clara e precisa. Resultado: Absoluto comprometimento.

Em resumo, conhecer o Todo, sentir-se o Todo e não um pedaço dele e participar de sua criação trás à tona um senso comum que ultrapassa a barreira do individualismo em direção ao mundo sem fronteiras do compartilhamento de visões. Daí surge um senso comum que confere identidade e significado àquilo que eu pertenço. Nesse estágio ninguém mais tem interesse na autoria dos projetos, mas sim, nos resultados que o projeto proporcionará para todos. Não importa quem pensou primeiro; quem é o dono da ideia. O importante é que o meu sentimento de pertencer foi estabelecido.

2019-03-11T16:34:05-03:00 11 de março, 2019|Educação Corporativa|2 Comentários

2 Comentários

  1. Ana Raquel 13/03/2019 at 11:37 - Reply

    Esse tema é oportuno e faz todo sentido!

    • Ary Moreira 13/03/2019 at 12:36 - Reply

      OPA! Obrigado pelo comentário, Ana. Que bom que você está se divertindo com o conteúdo. Sucesso!

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