O que você vai fazer quando descobrir que o mundo não acabou?

O que você vai fazer quando descobrir que o mundo não acabou?

“Meu amor, o que você faria se só te restasse um dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria?” (Paulinho Moska)

O que temos para hoje?

É muito grave?

Quais cuidados a serem tomados?

O que fazer, quando não se tem nada para fazer?

Em meio ao momento tenso que todos nós estamos vivendo, senti o desejo de trazer à tona algumas reflexões a respeito das nossas existências. Não vou me deter a explicações técnicas quanto ao vírus, à forma de contágio, à taxa disso e daquilo… não sou infectologista e não tenho a menor competência para tal. Além do mais, já existe uma enxurrada de informações disponíveis nas redes para serem consumidas. Cabe a cada um de nós escolher a melhor fonte para se informar.

O que temos para hoje?

Uma pandemia. O que isso significa? Significa que as medidas para conter a expansão de um vírus não foram bem-sucedidas e uma doença infecciosa está se alastrando mundialmente. Não é novidade para a humanidade. Entre 1918 e 1920, enfrentamos a pandemia da gripe espanhola que vitimou, estimativamente, 50 milhões de pessoas. Mais do que o total de vítimas da 1ª Guerra Mundial, que somou, entre civis e militares, 17 milhões de pessoas. Temos muito mais recursos hoje, indiscutivelmente, para enfrentar a situação atual.

É muito grave?

Toda pandemia é grave. Sabemos muito pouco ainda sobre o atual vírus e como tratá-lo, mas o maior perigo é a velocidade com que ele se dissemina. Não há no mundo sistema de saúde capaz de atender a demanda de pessoas infectadas. Uma triste realidade enfrentada pelo povo italiano, a 8ª economia mundial. Dessa forma, o isolamento, compulsório e voluntário, se faz necessário. Em outras palavras, o maior perigo é o contágio de organismos humanos debilitados, idosos e doentes crônicos, que necessitem de cuidados médicos ao mesmo tempo.

Quais cuidados devem ser tomados?

Além de todos aqueles que estão sendo divulgados por instituições e especialistas da área da saúde; eu sugiro:

  1. Não consuma notícias fantasiosas e sensacionalistas sobre uma estratégia do governo chinês para dominar o mundo fabricando um novo vírus em laboratório. Nem todos os vírus se originaram na China. Nem, tampouco, culpe o povo chinês pelo ocorrido. Não torne pior o que já não está nada bom. O momento é de solidariedade. Estamos todos no mesmo barco.
  2. Abrace a campanha #EuFicoEmCasa da ANMSPAssociação Nacional dos Médicos de Saúde Pública em Portugal. Saia o menos possível de sua casa. Sei que não é fácil, mas é extremamente importante agora.
  3. Mantenha a racionalidade. Já passamos por momentos difíceis ao longo de nossa história e vencemos. Venceremos esse também. Estamos muito mais preparados.

O que fazer, quando não se tem nada para fazer?

O isolamento é importante e necessário nessa hora, mas o que fazer o dia inteiro em casa? Muitos de nós não estamos acostumados a essa rotina, tampouco a de trabalhar remotamente. É preciso uma readaptação. Segue algumas dicas:

  1. Sua casa virou o seu local de trabalho; portando, comporte-se minimamente como se estivesse no seu local de trabalho. Estabeleça um horário de expediente; nada de pijamas o dia inteiro (sei que a tentação é grande; resista); estabeleça uma meta de produtividade; reserve alguns breaks entre as tarefas para cuidar da casa e de suas coisas pessoais. Aquilo que, normalmente, você adia por “falta de tempo”.
  2. Não deixe de reservar um tempo para as atividades físicas. Se você frequenta academia ou é adepto das caminhadas matinais; não abra mão disso! Faça exercícios leves localizados e alongamentos nos mesmos horários que você costumava fazer.
  3. Estabeleça uma rotina para as crianças, se você as tiver, semelhante à sua. Horário de estudos, brincadeiras, organização da casa e atividade física.
  4. Coloque uma tranca na geladeira.
  5. Programe a TV para desligamento automático.
  6. Coloque a leitura em dia. Aquele livro que você está adiando a leitura por “falta de tempo” ou aquela releitura que nunca sai; chegou a hora. Aproveite!
  7. O descarte de papéis e roupas que deveria ter sido feito no primeiro dia do ano e que ainda está por fazer; arregace as mangas!
  8. Os projetos que estão parados naquela pasta do computador esperando o “tempo” para serem analisados; a hora chegou.
  9. Aproveite as redes sociais para manter contato com as pessoas. Minimize a solidão.

Tenho quase certeza de que tudo isso vai passar logo. É a minha opinião. Mas eu posso estar completamente errado.  Esse momento deve nos levar a refletir sobre as nossas existências, o que temos feito com ela e o quanto ela pode ser muito frágil.

A pergunta da letra da música de Paulinho Moska, que eu gosto muito, cabe bem para o momento atual. E é essa a reflexão que eu quero compartilhar com você. “O que você faria se só te restasse um dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria?”

Acho que o momento é propício para reavaliarmos a forma com que temos vivido as nossas vidas; como temos nos relacionado com os outros e com nós mesmos e como podemos tornar as coisas melhores do que estão. Esse isolamento que eu, particularmente, jamais havia vivido, nos mostra claramente que Renato Russo estava certo quando disse que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Que Deus nos abençoe a todos!

2020-05-04T10:36:01-03:00 21 de março, 2020|Resiliência Organizacional|2 Comentários

2 Comentários

  1. Ana Raquel 21/03/2020 at 13:30 - Reply

    Adorei o texto! “Esse momento deve nos levar a refletir sobre as nossas existências, o que temos feito com ela e o quanto ela pode ser muito frágil”.

    E assim, pensando de forma positiva – sigo na ideia de mantermos o bom senso.

    Sejamos responsáveis!

    • Ary Moreira 21/03/2020 at 17:46 - Reply

      OPA! Valeu, Raquel! Seus comentários são sempre bem-vindos. Mantenha-se seguara!

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