Espírito de Equipe—Um por Todos; Todos por Um!

“Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante”. (Eclesiastes 4:10)

Não há nada mais destrutivo numa equipe do que o estender de dedo. Achar culpados quando as coisas não vão bem para julgá-los, puni-los e execrá-los é altamente contraproducente. Individualizar o erro é tão ruim quanto individualizar o sucesso. Uma equipe é uma equipe. Acerta e erra em equipe. O sucesso de um é o sucesso de todos, assim como o “erro”.

Nossa sociedade individualista, quantitativa e não sistêmica não aceita bem a ideia de compartilhamento de sucesso e muito menos de “fracasso”. O sucesso é sempre de minha responsabilidade; não divido com ninguém! O erro é do outro; não é minha a culpa, de jeito nenhum! Quando as coisas não vão bem, um culpado tem que aparecer para nos eximir da culpa sorrateiramente embutida numa sociedade essencialmente punitiva. Lembram-se dos tempos de escola e da caneta vermelha? Nossos erros sempre repercutiam mais do que nossos acertos. Ninguém, em sã consciência, quer assumir isso.

Pois é, carregamos esse ensinamento de anos de uma cultura punitiva para dentro das nossas organizações e criamos um ambiente pouco acolhedor à criação de equipes. É impressionante como aqueles sentimentos individualistas, construídos por anos, afloram na nossa vida profissional (não podia ser diferente, obviamente). Carregamos aquela sensação de estarmos trabalhando mais do que o outro e de sermos mais competentes que o outro e podermos ser prejudicados pela baixa performance do outro; quando temos uma auto avaliação que nos permite esse pensamento. É melhor sozinho do que mal acompanhado.

A recíproca é inversamente proporcional; ou seja, carregamos também a sensação de que devemos participar menos e guardar nossas opiniões porque é o que nossa auto avaliação nos permite pensar. Daí eu me junto e me escoro àqueles que são “melhores do que eu”. E vivo à sombra do sucesso alheio. Junte-se aos bons e serás um deles.

Não construímos uma equipe de verdade, tanto de uma forma quanto de outra. Livrarmo-nos dessa cultura individualista punitiva e entendermos que equipes são mais importantes que indivíduos, mas não existem em detrimento destes; é o ponto crucial para desenvolvermos esse tão sonhado espírito do um por todos; todos por um!

Dr. Paul G. Stoltz, autor do best seller Adversity Quotient, brilhantemente discorre sobre espírito de equipe, solidariedade, envolvimento e cuidado com o outro, elementos tão necessários à preservação da espécie humana, quando diz:

“A participação significa que você é responsável pela resolução de todos os problemas, seja qual for a causa e de quem for a culpa. Se um Alpinista comete um erro, seja tolo ou não, que resulte em ferimento, ainda é preciso carregá-lo na descida da montanha. Quando ocorre mau tempo e põe a equipe em risco, você não pode simplesmente salvar a própria pele;  todos têm de cumprir sua parte na sobrevivência da equipe. Quando é preciso desviar-se da rota devido ao erro de interpretação de outrem, seu papel é ajudar no retorno à rota. Acusar é irrelevante. Aprender a subir juntos é essencial para o êxito.” S. G. Paul, (2001, p.70).

É muito mais fácil sobreviver em grupo do que isoladamente. Basta observar o comportamento dos leões rodeando o bando de antílopes. Eles ficam aguardando aquele que se desgarra do grupo e se transforma numa presa fácil. Isoladamente somos presas fáceis, mas em grupo… nossa sociedade precisa reaprender esse conceito e valorizar mais o trabalho em equipe. As organizações contemporâneas não podem fugir a essa regra básica de sobrevivência.

Dessa forma, criar ambientes seguros onde as pessoas se sintam à vontade para expor suas ideias, sem medo de errar, é fundamental para elaboração de estratégias inovadoras e soluções de problemas cotidianos. Um lugar onde o “erro” é simplesmente visto como o resultado de uma tentativa e não o fim de tudo e de todos, assim como um acerto também não garante o paraíso eterno. Ambos não são para sempre não matam nem eternizam ninguém.

Assimilarmos que o erro não significa a falência de tudo, assim como o acerto não produz o sucesso eterno, é fundamental para criarmos ambientes seguros que incentivem a participação de todos propiciando o compartilhamento de visões. Esse é um dos objetivos das Organizações Para o Aprendizado (OPA!). Precisamos partir do princípio que não há nada que não possa ser consertado e nada que seja indestrutível. Se entendermos, definitivamente, que trabalho em equipe sugere a livre participação de todos e que os resultados produzidos, sejam bons ou não tão bons, é responsabilidade de todos; aprenderemos, de fato, o que significa “Um por Todos, Todos por Um”.

2017-10-16T12:30:26-03:00 16 de outubro, 2017|Educação Corporativa|0 Comentários

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