A Tríade da Visão Compartilhada – Do Abstrato ao Concreto

A Tríade da Visão Compartilhada – Do Abstrato ao Concreto

  1. Conhecer o significado do todo

  2. Sentir-se o todo

  3. Participar da construção do todo

… criar uma identidade comum entre pessoas totalmente diferentes (Peter Senge)

Todas as grandes invenções que mudaram significativamente o mundo em que vivemos surgiram a partir de visões compartilhadas. Quando os irmãos Lumière, por exemplo, em 1895 compartilharam o sonho de dar movimento às imagens estáticas, às fotografias, e contarem histórias a partir daí; um dos mais impactantes fenômenos tecnológicos, na minha opinião, o mais impactante de todos os tempos nascia—O Cinema.

Uma excelente ideia guardada não vale o tempo despendido para pensá-la. Mesmo que esta ideia seja a cura para todos os males da humanidade. Uma ideia ruim, quando compartilhada, tem grandes possibilidades de salvar vidas. Quando compartilhamos visões começamos o processo de transformação do abstrato para o concreto. O avião não surgiu concretamente antes de ser uma abstração. Assim como o submarino, o telefone, o rádio, a luz elétrica… Quando compartilhamos nossas visões com pessoas afins, criamos a possibilidade da transformação do sonho em realidade. Quando não o fazemos, simplesmente não realizamos nada! Fico perplexo e profundamente triste quando percebo pessoas resistirem à magia do compartilhamento de visões. Uma vaidade egoísta e altamente improdutiva de reter o conhecimento para que ninguém se apodere dele. E nada de bom acontece e, às vezes, uma boa ideia vai para o túmulo junto com o seu idealizador sem nunca ter produzido os frutos do compartilhamento. É muito triste! Uma visão compartilhada perde a autoria. Passa a ser de todos que a abraçam. Talvez esse seja o grande medo dos autores.

A frase icônica de Martin Luther King Jr. “I have a dream” (eu tenho um sonho) se tornou realidade depois de compartilhada. Steve Jobs criou a Apple a partir do compartilhamento de uma visãoser a empresa mais inovadora, e de mais elegante designer, de microcomputadores fáceis de operar. Um sonho que se tornou realidade. Quantos exemplos poderiam ser citados, desde grandes invenções, construção de grandes empreendimentos, ideias como a dos hippies dos anos de 1960 (paz e amor) e tantos e tantos outros. É impossível imaginarmos um mundo evolutivo sem o compartilhamento de visões.

Claro que as organizações, para garantir sua longevidade bem sucedida, precisam criar mecanismos que propiciem o compartilhamento de visões. Mas, Infelizmente, o que tenho observado é uma escassez mesquinha de compartilhamento de visões dentro de algumas organizações por pura vaidade e egoísmo. Todos querem os louros das boas ideias, mas se recusam a assumir responsabilidades por aquilo que não deu “certo”. Esse sentimento é, sem dúvida, um entrave na evolução organizacional. Mas então, o que é preciso para se criar um ambiente onde as pessoas se sintam à vontade para compartilhar suas visões sem a pretensão de possuí-las solitariamente?

1 Conhecer o Significado do Todo

Conhecer o Significado do TodoÉ sabido que um dos aspectos fundamentais para se alcançar sucesso organizacional, diz respeito à clara e consistente noção da identidade corporativa.  Em outras palavras, a capacidade das pessoas envolvidas no negócio de perceberem e identificarem o propósito da organização. A percepção de unicidade. A noção clara da Missão da organização. Todas as pessoas que constituem a organização têm que ter a capacidade de responder às perguntas fundamentais neste aspecto: Qual é a razão da nossa existência? Por que fazemos o que fazemos do jeito que fazemos? Qual o aspecto fundamental que nos faz diferentes dos que se parecem iguais a nós?

2 Sentir-se o Todo

Sentir-se o TodoEm 2006, o Clube de Regatas do Flamengo (não sou Flamenguista! muito pelo contrário, mas pela ciência se faz qualquer coisa!) colocou uma propaganda no ar onde seu maior ídolo, Zico, recitava um texto que exaltava, entre outras coisas, o tamanho da torcida do Flamengo (“33 milhões de torcedores…”).

Independentemente das minhas paixões futebolísticas, usei essa propaganda numa de minhas palestras, à época, para explicar o que é sentir-se o Todo e não parte dele. Ou seja, são quase 40 milhões de pessoas diferentes. Nível socioeconômico diferente, credo, raça, etc; mas que têm um Senso Comum—Ser Rubro-negro. Quando perguntamos para que time elas torcem, invariavelmente, elas dizem—Sou Flamenguista; Sou Rubro-negro. Elas não respondem—eu faço parte da torcida do Flamengo; eu sou um pedaço, uma parte, da torcida do Flamengo. Eu Sou Flamengo! A terminologia muda completamente o sentido da coisa. Quando falamos que somos o todo e não parte dele, nosso compromisso com a causa se torna imensuravelmente mais forte! Você já percebeu que quando achamos uma pessoa muita boa naquilo que ela faz dizemos que ela não faz aquilo; dizemos que ela é aquilo. Niemeyer não era arquiteto; Niemeyer era a arquitetura. Ivo Pitanguy não foi um cirurgião plástico; ele foi a própria cirurgia plástica. E tantos outros exemplos de pessoas que não eram um pedaço do que faziam; eram o que faziam.

3 Participar da Construção do Todo

Construção do TodoReconhecer, sem arrogância, a participação na construção do todo cria um senso de responsabilidade e prazer que contribui decisivamente para o compartilhamento de visões. As estruturas organizacionais horizontalizadas com a formação de times de trabalho permite que os colaboradores percebam a sua participação na construção do todo. A percepção de cada colaborador da importância de sua participação na construção do todo desenvolve um senso de comprometimento inimaginável.

Esses três pilares (conhecer o todo, sentir-se o todo e não um pedaço dele e participar da criação do todo) criam um senso comum que ultrapassa a barreira do individualismo em direção ao mundo sem fronteiras do compartilhamento de visões. É o que acontece com os quase 40 milhões de Rubro-negros. Eles têm um senso comum que lhes confere uma identidade e significado.

Quando as organizações alcançam esse senso comum que lhes confere identidade e significado, compartilhar visões se transforma numa prazerosa atividade que garante a longevidade bem sucedida da organização. Ou seja, o senso comum se estabelece: Perpetuar-se na história. Nesse estágio ninguém mais tem interesse na autoria dos projetos, mas sim, nos resultados que o projeto proporcionará para todos. Não importa quem pensou primeiro; quem é o dono da ideia… o importante são os resultados que ela trará para a organização da qual eu não sou um pedaço; eu sou o todo!

2019-05-05T19:13:25-03:00 14 de agosto, 2017|Educação Corporativa|0 Comentários

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